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Livros e resenhas

Linhas Vermelhas - Novo livro trata do marxismo e os dilemas da revolução

Redação Publicado em 03.05.2016

Buonicore discute as relações entre liberalismo, colonialismo e fascismo, mas também analisa os erros da esquerda que permitiram o avanço nazista, assim como a presença da esquerda em momentos chave da história mundial. As lutas de emancipação racial, sexual e nacional e sua relação com o marxismo também são abordadas no livro.

A Fundação Maurício Grabois e a editora Anita Garibaldi acabam de lançar Linhas Vermelhas: Marxismo e os dilemas da Revolução, uma coletânea de artigos escritos pelo historiador Augusto Buonicore. Ao contrário da coletânea anterior, intitulada Marxismo, história e revolução brasileira: encontros e desencontros, centrada nas interpretações marxistas sobre o Brasil, a atual não tem a mesma unidade temática. Contudo, tem um fio condutor: o problema da revolução no interior do marxismo.

Buonicore, num dos artigos, busca revalorizar as contribuições de Engels ao desenvolvimento e à divulgação do marxismo. Em outro, critica um dos principais mitos políticos modernos: aquele que tenta amalgamar liberalismo e democracia. Constata ter existido, até meados do século 19 e mesmo depois, um amplo consenso liberal-burguês contra o sufrágio universal e a ampliação da democracia. O autor vai ainda mais longe ao dizer que existe menos diferenças entre liberalismo, colonialismo e fascismo do que sonha a nossa vã filosofia.

Outro tema tratado nos diversos capítulos do livro é a relação existente entre o marxismo e os problemas nacionais e raciais, e também com a luta pela emancipação das mulheres. Os comunistas, afirma o autor, seguindo as pegadas de Domenico Losurdo, cumpriram um papel importante nestes três tipos de emancipação (social, nacional e sexual). Dá atenção especial aos erros políticos da esquerda comunista e social-democrata que permitiram a ascensão do nazismo na Alemanha em 1933. E, também, a superação desses mesmos erros através da estratégia de construção das frentes democráticas e populares. Por fim, utilizando a ferramenta do marxismo, analisa alguns momentos-chave da história na segunda metade do século passado, como o golpe militar no Chile (1973), a revolução dos Cravos em Portugal (1974) e o Maio francês de 1968.

Segundo o professor Silvio Costa, que elaborou uma das orelhas do livro, a obra de Buonicore “é uma leitura norteadora à tod@s aquel@s que estão comprometidos com uma prática política consciente e transformadora rumo à construção de uma sociedade socialista”. Continua: “as páginas colocadas à sua disposição, através desta coletânea, são uma demonstração clara e evidente de que é impossível interpretar a realidade em sua multiplicidade (...) sem recorrer e conceder espaço privilegiado e destacado à grandiosa obra teórica de Marx e Engels. (...) Este livro é mais uma evidência e uma demonstração inequívoca de que, em que pese a propalada falência dos ideais igualitários, ele continua atual, vivo, vigoroso e é renovado cotidianamente”.

Na sua Apresentação, a professora Marly Vianna afirma que o livro foi “editado em muito boa hora”. O autor, segundo ela, “tem escrito vários artigos (...) imprescindíveis para os estudiosos do assunto. Mas, eles estavam dispersos – o que dificultava sua utilização (...). As questões tratadas são, sem dúvida, da maior importância para a compreensão do pensamento marxista. (...) Elas ajudam-nos a refletir sobre os dilemas políticos das esquerdas no Brasil, em especial no momento que atravessamos. Num tempo em que a teoria e a política tendem a ser desprezadas, em que o individualismo parece sobrepor-se ao social, em que os partidos políticos são considerados obsoletos e descartáveis, quando as ideologias saíram de moda, é um livro imprescindível!”.

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