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Cebrapaz realiza sua 4ª Assembleia Nacional em São Luís

Cezar Xavier Publicado em 17.11.2016

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) realiza sua 4ª Assembleia Nacional, desde 17 de novembro de 2016, em São Luís, Maranhão. Militantes e ativistas pela paz de mais de 40 países se reúnem na capital maranhense para a assembleia e para o Congresso do Conselho Mundial da Paz, que ocorre pela primeira vez no Brasil. 

Liege Rocha durante abertura da Assembleia do Cebrapaz Foto: Karlos Geromy/Secap

As atividades começaram na manhã de quinta-feira (17) e seguem até o domingo (21) quando os pacifistas dos cinco continentes vão emitir uma resolução em defesa da paz e da soberania dos povos. 

O momento é de discussão e avaliação das tarefas para o fortalecimento da organização, no contexto em que se faz necessário o impulso a um movimento internacionalista de luta anti-imperialista, da solidariedade entre os povos e de luta determinada pela paz.

Socorro Gomes, presidenta do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz, considera que hoje, mais do que nunca, se impõe a unidade em torno da bandeira da paz. Ela destacou que este encontro acontece durante um período em que a paz no mundo está gravemente ameaçada pelo imperialismo norte-americano que amplia sua contraofensiva diante da crise do capitalismo.

 “Vivemos um momento em que as ameaças e agressões do imperialismo e seus acumpliciados crescem e os povos resistem e lutam. Exemplo disso é o acordo de paz da Colômbia, uma vitória de toda a América Latina. Aumenta a importância de fortalecer a unidade e a solidariedade na luta pela paz, contra o imperialismo”, afirma Socorro.

Socorro anunciou os trabalhos dos próximos dias com destaque para as causas do povo palestino e a luta contra as injustas invasões de Israel; a resistência do Saara Ocidental frente à ofensiva marroquina; e o grande desafio desta década para os pacifistas de todo o mundo: a questão dos refugiados expulsos de seus países devido às guerras e invasões que ao chegar à Europa encontram todo tipo de empecilho e preconceitos.

Com relação à América Latina, Socorro Gomes destacou a conquista do Acordo de Paz entre as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o governo que dará fim aos mais de 50 anos de conflito; a reaproximação de Cuba com os Estados Unidos e a luta pelo fim do bloqueio norte-americano; a crise política que atinge a Venezuela e tenta destituir o presidente Nicolás Maduro; além da ameaça que as dezenas de bases militares dos Estados Unidos espalhadas por quase todos os países do continente latino-americano representam à soberania dos povos.

Para Socorro, os pacifistas do mundo têm pela frente um longo período de luta pela autoafirmação dos povos, não só na América Latina, mas em todos os continentes onde o imperialismo norte-americano atua para consolidar sua hegemonia. Ao final destes três dias de trabalho será apresentada uma resolução que norteará as ações para os próximos anos a fim de alinhar e fortalecer a luta pela paz.

Durante a assembleia, foi eleita a nova direção do Cebrapaz e Antônio Barreto foi escolhido como presidente. Também foram aprovadas resoluções e moções em defesa dos diretos dos países e povos.

Barreto informou que irá fortalecer as lutas que a entidade vem travando contra as guerras. “Vamos dar continuidade ao trabalho realizado pela gestão anterior, faremos todo o esforço para construir e organizar os núcleos do Cebrapaz nos estados”, disse. 

Maranhão

Durante a abertura das atividades, o secretário estadual de Articulação Política e Comunicação do Maranhão, Márcio Jerry, saudou os participantes e destacou a atuação do governador Flávio Dino (PCdoB) na luta pela redução das desigualdades sociais numa das regiões mais marcadas pelo coronelismo no país. Para Jerry, a administração de Flávio Dino, dedicada a melhorar a qualidade de vida dos habitantes do Maranhão vai ao encontro dos anseios dos pacifistas do mundo que defendem a soberania e a autonomia dos povos. 

Márcio Jerry pontuou o significado para o Estado em sediar o evento mundial. “É importante por ser organizado pela sociedade civil e contribui para que o Maranhão seja inserido nos debates em favor da paz nacional e mundial e soma para referenciar cada vez mais estado como importante destino turístico e, neste caso, de eventos", destacou Jerry.

“Isso faz com que os olhares do mundo se direcionem para cá e reforça nosso potencial, nossas riquezas econômicas e culturais e para a economia do turismo e região importante para o país e o mundo”, reiterou Márcio Jerry.

O Maranhão foi escolhido para sediar o evento de projeção mundial pela sua atual situação política, que representa a quebra de um ciclo, avalia o secretário geral da Cebrapaz, Thomás de Toledo. “O Maranhão está se tornando uma referência nacional, e agora, também mundial, na superação de um modelo político. Parabenizamos o governo por essa atitude e por receber este evento de grande relevância mundial”, destacou Toledo.

Quem acompanhava as discussões avaliou como positivo o momento de debates pelo tema de interesse mundial. A representante da União Brasileira de Mulheres da Bahia, Patrícia Alves, ressaltou a importância do evento por unir entidades mundiais. “Nossa participação tem como intuito contribuir e discutir a paz, sobretudo quando em nosso país estamos regredindo nos direitos e na justiça social. Devemos estar junto e unidos nesta luta”, destacou. Para Durans Noronha Silva, da Cebrapaz Sergipe, “o evento vai possibilitar a conquista de um país e nações mais justas e igualitárias”.

Cebrapaz MA

Na ocasião foi reativado o Núcleo Estadual da Cebrapaz no Maranhão, que estava há mais de seis anos com as atividades suspensas. O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Jhonatan Almada, foi escolhido coordenador do órgão. “Estamos retomando as atividades de debates, formação e ações que defendam os princípios da cultura de paz. É um órgão extremamente significativo para debater a questão da paz com os demais estados do país e nações mundiais”, explica o titular da Secti.

O núcleo terá entre as prioridades discutir temas internacionais relacionados à luta contra o Imperialismo; apoio aos povos que lutam por sua independência, a exemplo dos palestinos; pelo desarmamento global; contra as intervenções militares, entre outras. “O objetivo é promover atividades que contribuam para fortalecer essas bandeiras no Estado e em todo o país, com reflexos no mundo. Localmente, pretendemos que as forças políticas cheguem a um consenso possível e retomem o direcionamento do Brasil”, exemplificou Almada.

Sindicalismo

O vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nivaldo Santana, declarou que “a luta pela paz é estratégica para a classe trabalhadora e adquire maior importância nessa conjuntura de grave crise do capitalismo e ofensiva belicista do imperialismo contra os povos”, alertou. Segundo ele “a realização vitoriosa da 4ª Assembleia do Cebrapaz é uma grande contribuição à luta dos povos pela paz”, expressou.

Além de Santana, a central sindical está representada nas atividades com uma delegação de dirigentes de vários estados como São Paulo, Bahia, Goiás, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, entre outros. 

Agenda pela paz

No cronograma dos eventos será realizada ainda a Assembleia do Conselho Mundial pela Paz, nesta sexta-feira, 18, com reunião interna entre os membros representantes; e no domingo, dia 20, a Conferência Mundial da Paz, que será aberta ao público. Os dois eventos contam com presença do governador Flávio Dino. Os debates do ciclo de eventos vão resultar na elaboração de monções e resoluções que estarão à disposição pública e podem ser consultados na página da Cebrapaz: www.cebrapaz.org.br. O ciclo de atividades da Cebrapaz ocorre paralelamente ao ‘Novembro pela Paz’, promovido pelo Governo do Estado e que durante todo este mês realiza diversas atividades com foco no tema.

Teses

O diretor de comunicação do Cebrapaz, José Reinaldo Carvalho, foi o responsável pela publicação da revista de teses, documento político para o debate na 4ª Assembleia Nacional do Cebrapaz. Segundo ele, a revista é um “importante instrumento de mobilização para a Assembleia Nacional”. Para Reinaldo, o documento para debate é “denso e contribuirá para elevar a discussão em torno dos desafios da luta pela paz, sendo que na própria assembleia este documento pode e deve ser enriquecido e corrigido com as emendas que porventura sejam necessárias”.

O texto da revista é dividido em cinco tópicos principais: “O imperialismo é a principal ameaça à paz”, “Ofensiva conservadora pró-imperialista na América Latina”, “Denunciar o Golpe no Brasil”, “Cebrapaz: um breve balanço de atividades” e “Dez pontos para um plano de ação a ser posto em prática pela Direção Nacional no triênio 2017/2019”.

Os tópicos desdobram-se, por sua vez, em 12 subitens: “Imperialismo aumenta a agressividade”, “A máquina de guerra dos EUA-Otan”, “Indústria Bélica e Economia Mundial”, “Bases militares dos EUA e da OTAN: Ameaça à Paz!”, “O drama dos refugiados”, “Povos em luta”, “Defender a América Latina e o Caribe como Zona de Paz diante da ofensiva conservadora”, “Avanços históricos: início do processo de normalização das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos e o Acordo de Paz na Colômbia”, “Solidariedade aos povos em luta contra a ofensiva conservadora pró-imperialista na América Latina”, “Solidariedade aos povos em luta contra o colonialismo na América Latina e Caribe”, “O Golpe no Brasil e o imperialismo”, “Golpe no Brasil ameaça a integração regional e a política externa soberana”.

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