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Ucrânia: armistício ou escalada?

Alex Corsini Publicado em 27.06.2014

Cessar-fogo do pseudogoverno de Kiev é uma armadilha

Moscou – O conflito na Ucrânia, enquanto o tempo passa, assume cada vez mais características permanentes, abre abismos sem pontes, e as feridas que deixa atrás são muito difíceis de serem cicatrizadas. A “operação antiterrorista”, lançada pelo governo fantoche de Kiev, antes da realização das eleições nas regiões de Donetsk e Luganski, resultou em batalhas sangrentas entre mercenários da Guarda Nacional – de extrema-direita e o Batalhão de Azov, controlados pelas unidades paramilitares, por um lado, e, por outro, por forças de autonomistas russófonos.

A Guarda Nacional foi criada em 12 de março deste ano e é composta, principalmente, por voluntários da Auto-defesa de Maidan e do Setor Direito, os quais fugiram de Kiev e estão sendo treinados em vários campos por especialistas – não só ucranianos, mas também ocidentais. Seu principal núcleo são contingentes armados que lutaram nos conflitos de Kiev, “legalizados” pelo governo de transição.

O Batalhão de Azov foi criado em 5 de março , após iniciativa de Oleg Lyashko, um político de direita (que nas últimas eleições presidenciais recebeu 8,32% dos votos) com o apoio da Auto-defesa de Maidan, do Setor Direito e de hooligans da equipe de futebol Dinamo de Kiev.

O vice-comandante do Batalhão Azov, Yaroslav Gutsar – que, recentemente, pediu baixa – declarou que “para o Batalhão Azov são recrutados, principalmente, indivíduos de grupos de direita, financiados pelo oligarca de origem judaica e governador de Dnepropetrovsk, Ihor Kolomoyskyi.

Quando, no início de março deste ano, foi deflagrada a “operação antiterrorista” contra as regiões orientais, os soldados do exército tático ucraniano mostraram grande falta de vontade para lutarem. Então, foi decidido enviar “voluntários” que haviam sido envolvidos nas escaramuças de Kiev, os quais estão sendo retreinados e enviados para combater nas regiões orientais.

Cada com sua arma

Obviamente, o grande bazar realiza-se em torno do gás natural que a Rússia vendia para a Ucrânia, que não pagou a última remessa. O governo fantoche ucraniano declarou que já possui reservas de gás natural em reservatórios subterrâneos em volumes suficientes para atender às necessidades do país até dezembro deste ano.

A União Européia (UE) – também consumidora de gás natural russo – julga que o setor de energia “não é o indicado para sofrer sanções” e leva em conta que o gás natural que consome é adquirido por ela, e não pelos Estados Unidos.

O governo de Moscou, em primeira fase, não está interessado em conseguir o status de autonomia para Donetsk e Luganski, mas obrigar o governo fantoche de Kiev a federalizar estas regiões e, assim, garantir que em suas fronteiras sul e oeste está situado um país não hostil que não será integrado à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Embora, Porosenko tenha decretado um cessar-fogo, os autonomistas das regiões orientais anunciaram que não entregarão suas armas, porque sabem que o cessar-fogo do pseudogoverno de Kiev não passa de uma armadilha.

Fonte: Monitor Mercantil