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Milionários europeus passam ilesos pela crise

Maria Segre Publicado em 24.07.2012

Na maioria dos países europeus o mercúrio atingiu o vermelho nos termômetros e o mesmo prevalece para os programas de excessiva frugalidade que adotam um após outro os empoados líderes dos países do Velho Continente.

Os tubarões, com ou sem euro, sobrevivem sempre

"Nosso déficit é elevadíssimo, quer dizer, muito, muito aumentado", disse em seu discurso no plenário do Parlamento da Espanha, na quarta-feira da semana passada, o primeiro-ministro Mariano Rajoy, anunciando o maior e mais severo programa de frugalidade desde a queda da ditadura de Franco (65 bilhões de euros), enquanto nas ruas de Madri milhares de espanhóis uniam suas vozes de protesto com aquelas dos mineiros de Valência que chegaram caminhando a pé os 400 quilômetros que separam Valência da capital espanhola.

Rajoy foi absolutamente claro. Em tons dramáticos, explicou que a frugalidade (aumento de impostos, reduções de salários e ajudas previdenciárias) são caminho de mão única. Já alguns dias antes, fora a hora e a vez do Governo Monti na Itália decidir drásticos cortes de gastos públicos, atingindo o setor da saúde e os serviços públicos.

Também a França não escapa do cânone, adotando aquilo que os economistas denominam "frugalidade galopante", em clima social que "cheira pólvora". Severa frugalidade durável, sob a pressão dos mercados e das políticas do famigerado "cânone de ouro" (que obrigou os países da Zona do Euro a incluírem, em suas constituições a obrigatoriedade de adoção de todas as medidas de saneamento econômico e fiscal que o Acordo Fiscal determina), derrubando um modelo social europeu que foi construído durante décadas, atribuindo à Europa aquela diferença que a separava, por assim dizer, da selva trabalhista e econômica dos EUA.

O continente europeu está retornado com passos largos e rápidos ao século XIX. Quando o salário-desemprego, o auxílio-doença, as férias anuais, eram conquistas desconhecidas. Quando vigorava a lei do mais forte, isto é, do empregador. As previdências sociais de qualquer espécie eram, simplesmente fora de questão.

Mas a questão hoje é que esta política de frugalidadde, de terraplenagem de qualquer gasto social, não destrói, somente, as conquistas sociais e trabalhistas, mas conduz à destruição aquilo que, supostamente, tenta salvar: o euro e a Zona do Euro.

E o mal seria menor se as perdas fossem limitadas à experiência de uma moeda comum. Mas o drama é que o preço será pago por todos e, particularmente, os mais inocentes e os mais fracos. Porque os tubarões, com ou sem euro, sobrevivem sempre.

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Fonte: Monitor Mercantil