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A Nova Ordem ou o fascismo universal

Jorge Messias Publicado em 06.07.2011

«Tem carácter reaccionário a famosa teoria do ultra-imperialismo que estabelece a tese (datada de 1902) de que, em vez da luta dos capitais financeiros entre si, eles deviam instalar em todo o mundo a exploração comum pelo capital financeiro unido internacionalmente... A par de um cristianismo consolidado num grupo limitado de grandes impérios federais, cada um deles com colónias não civilizadas e países dependentes, numa evolução que permitiria alimentar as maiores esperanças na paz permanente garantida pelas bases sólidas do super imperialismo?...»

V. I. Lénine, O Imperialismo, fase superior do capitalismo

«O FMI não se limita a ajudar o imperialismo a sugar o sangue da vida económica dos países em vias de desenvolvimento e a mantê-los amarrados ao carro imperialista. O que, só por si, já não seria pouco … Mas há mais: o FMI é uma peça decisiva na execução de golpes de força para o derrube de regimes democráticos e instauração de governos ditatoriais … Dizia Lénine que o militarismo moderno é resultado do capitalismo. Enquanto força armada usada pelos estados capitalistas; e como instrumento repressivo do movimento proletário.»

(Grupo de trabalho do PCP, 1986, coordenado por Rogério de Carvalho)


Tal como seria de esperar, nunca as grandes centrais do dinheiro confirmaram a tese do governo mundial e da nova ordem capitalista. Mas há outras formas de avaliação. Por exemplo, comparando antecedentes e consequentes: o anúncio antecipado dos factos e a sua concretização na vida real. Antes de prosseguirmos conviria, entretanto, esclarecer que, a par da denúncia de algumas intenções ocultas pelas estratégias do assalto ao poder desencadeado pelo capital fascizante, importa repudiar-se qualquer argumentação de base teológica. Os terríveis perigos que enfrentamos e teremos de enfrentar não são maquiavélicos ou proféticos inspirados por forças sobrenaturais do Mal. Trata-se de situações históricas, criminosas e catastróficas, longamente concebidas pelas forças políticas e sociais dominantes, de entre as quais é justo destacar o Vaticano e a igreja católica de obediência vertical e eclesiástica.

O essencial dos planos elaborados pelos conspiradores da Nova Ordem estão bem guardados a sete-chaves, como é natural, nos cofres fortes da NATO, do Pentágono ou do Opus Dei. Mas as «fugas», entretanto, não cessam de se acumular. Sabe-se agora, por exemplo, que a ampliação do teatro de operações, em fase de desenvolvimento, exige a concentração prévia das grandes fortunas (o que implicará o esmagamento e a apropriação da riqueza detida pela classe média e por franjas dos investidores); o abandono à sua sorte dos mais pobres, dos velhos, dos inválidos e das crianças menos dotadas; a instalação de um só governo mundial «forte», de direita e dotado de todos os poderes repressivos e bélicos; a consolidação de uma só religião representada por uma única Igreja mundial fabulosamente rica e detentora de poder absoluto sobre uma área social imensa, nos planos da assistência caritativa, da saúde, da educação, do universo prisional, da cultura, da infância, etc. A noção de Império faria desaparecer do mapa os conceitos de Estado e de Nação, transformando as pátrias em simples territórios administrativos. Este secreto projecto já se encontra em desenvolvimento efectivo e é dirigido por um governo mundial oculto cujas decisões são inapeláveis. É o caso do que está a acontecer em Portugal e na Grécia, cujas independências nacionais o Novo Mundo procura entregar ao FMI.

Mas a visão capitalista alcança até ao infinito. Generais, bispos e banqueiros estão certos de que o Império dos Iluminados virá a exigir uma III Guerra Mundial, talvez aí por volta de 2050. Nessa altura, o conflito oporá três gigantescas super potências: os EUA, a China e a Índia, visto que então a Europa já não contará, se é que ainda sobrevive.

Portanto, com base em previsões seguras, os arquitectos do grande capital constroem, desde já, as situações estratégicas favoráveis ao colossal embate previsto para a partilha dos lucros do saque universal: reforçam posições nas áreas petrolíferas, aceleram o fabrico de armas de destruição maciça e controlam a produção alimentar. Gerem as crises financeiras, centralizam a banca e usam o crédito como arma política. Destroem o emprego e dizimam, pela fome, as populações mais pobres.

Este panorama é, já hoje, uma realidade.

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Fonte: jornal Avante!