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A volta de Zelaya a Honduras

Beto Almeida Publicado em 04.06.2011

O retorno de Manoel Zelaya instala na agenda de Honduras a mesma pauta política de quando ele foi deposto, a Constituinte. Uma derrota para a direita hondurenha, para o intervencionismo estadunidense e para terrorismo paramilitar uribista.

No último sábado, dia 28, a Telesur exibiu, ao vivo, por satélite, para toda a América Latina, para os latinos que vivem nos EUA e para parte da Europa, o retorno do ex-presidente Manoel Zelaya a sua pátria, Honduras, depois de ter sido deposto por um golpe de estado articulado por alas do governo estadunidense, juntamente com a oligarquia interna hondurenha que não admitia a aproximacão política de Zelaya com Chávez, Cuba e a sua integração à Alba.

A volta de Zelaya simboliza o fracasso deste golpe que, no entanto, cobrou muitas vidas de valorosos lutadores sociais. Zelaya em sua primeira fala em território hondurenho cobrou a apuração das atrocidades e a punição dos responsáveis. E, também, a instalação de uma Assembléia Constituinte, palavra de ordem que estava no centro da Consulta Popular que pretendia realizar há quase dois anos, no momento em que foi deposto ilegalmente.

A ciência da tática aplicada para o seu retorno, sobretudo pela participação do presidente Hugo Chávez, surpreendeu até mesmo setores do movimento de Resistência Democrática de Honduras, deixando alguns outros movimentos do continente confusos e perplexos. Mas, agora, revela-se toda a audácia e a inteligência desta tática que consistiu em explorar a debilidade do governo de Porfirio Lobo, já que Honduras, após o golpe foi excluída da OEA e isolada internacionalmente, o que, para uma economia fragilizadíssima, representou a impossibilidade de financiamentos externos.

A tática também explorou a necessidade do governo de José Santos, da Colômbia, sobretudo da composição de forças que o apoia, de buscar uma normalização de suas relações com a Venezuela, numa linha política diferenciada daquela aplicada por Uribe, que apostou sempre na maior hostilidade possível com o governo de Hugo Chávez para explorar ao máximo o tensionamento em favor das estratégias intervencionistas militares dos EUA na região.

Esta política de tensionar ao máximo para justificar intervencionismo não conta com o apoio do Brasil, que também apostou na tática aplicada por Chávez - haja vista mensagem de Dilma reconhecendo oficialmente e aplaudindo os acordos Chávez-Santos-Lobo-Zelaya - cujo saldo imediato é a neutralização do uribismo e das políticas de militarização das diferenças, e o retorno de Zelaya que instala na agenda de Honduras a mesma pauta política de quando ele foi deposto, a Constituinte. Uma derrota para a direita hondurenha, para o intervencionismo estadunidense e para terrorismo paramilitar uribista.

Para a Venezuela, o Acordo de Cartagena pode representar melhores condições para enfrentar, com novos prazos e rítmos, os desafios da consolidação da Revolução Boliv

O que também não deixa de ser uma recomendação para uma maior unificação de agendas políticas e nas táticas a todos os movimentos políticos que atuam na América Latina, entre elas a consolidação da Unasur, seu fortalecimento, o mesmo em relação à ALBA, evitando-se agendas isolacionistas, sobretudo quando nao sintonizadas com os países que estão proporcionando, no momento, mais iniciativas transformadoras , como é o caso da Venezuela, ou que podem, pelo seu peso específico, ter mais impacto na conjuntura da América Latina, como é o caso do Brasil, cuja política externa teve muita importância no fortalecimento do movimento democrático hondurenho e nesta vitória simbolizada pelo retorno de Zelaya.


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Jornalista, Membro da Junta Diretiva da Telesur

Fonte: Carta Maior