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Por que os países da “periferia” européia estão ameaçados?

Maria Segre Publicado em 07.10.2010

Analistas de bancos discordam das avaliações do FMI

À recente declaração do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo a qual a falência de um país é “não necessária, indesejável e improvável”, respondem Citigroup e HSBC, que destacam que “nada é improvável, particularmente, na “periferia” da Zona do Euro”.

Os analistas dos dois bancos apontam que as convulsões nos mercados nos últimos dias lembram que as preocupações em torno da falência de um país integrante da Zona do Euro não desapareceram, apesar dos gigantescos pacotes de salvação destinados à Grécia, assim como a outras economias frágeis da região.

Em recente declaração, o FMI destaca que “a falência de uma economia desenvolvida é não necessária, indesejável e improvável”. Com esta declaração descordam “verticalmente”, tanto o economista-chefe do Citigroup, Willem Buiter, quanto a também economista-chefe do HSBC, Janet Henry.

Em seu relatório, Buiter anula esta declaração do FMI afirmando que está baseada “em más avaliações econômicas e simplificação de economia política”. Destaca, ainda, que “nenhum governo está a salvo contra o risco de falência, porque hoje é mais difícil do que nunca disciplinar o déficit de seu orçamento”.

E isto acontece por causa de três motivos básicos: “Primeiro, a demanda por gastos públicos tem aumentado na maioria das economias desenvolvidas mais rápido do que sua capacidade de aplicar impostos. E, além de aumentarem a aversão social, impostos mais altos pulverizam os incentivos para o trabalho, educação, poupança e, investimentos”.

“Segundo, as políticas em vários países têm forte polarização transformando-as, o que é muito mais difícil para concluírem quem deverá sofrer a dor do corte dos gastos públicos. Exemplos básicos de sociedades polarizadas são a Grécia e os EUA”, de acordo com Buiter.

“Terceiro, a política tributária tornou-se mais ineficaz. A isenção tributária e a sonegação cresceram em todos os países da Europa e nos EUA e isto não está acontecendo apenas agora, mas desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com a expansão da globalização. Quanto mais se olha para o Sul e o Leste da Europa, tanto maior é atividade da economia paralela”.

Espanha preocupa mais

De acordo com Buiter, “não é só o fato dos governos que são impossibilitados de pagarem, considerando que alguns poderão não estar dispostos ou capazes de repassar às suas populações a dor econômica necessária para garantir o pagamento das dívidas, assim como, a redução do total da dívida do país em níveis aceitáveis”.

Buiter adverte que “o país de maior risco é a Grécia, seguida pela Irlanda, Portugal e Espanha, e pouco mais atrás pela Itália, Bélgica, Áustria, Japão e, após cinco anos, os EUA”.

Para Janet Henry, “os investidores começaram a separar os “bons” dos “maus” países sob o ponto de vista fiscal. Não existe expansão da crise. As preocupações e os problemas têm sido circunscritos nos quatro países da “periferia” da Europa”.

Segundo Janet, “a Espanha constitui o país com a menor preocupação imediata, enquanto as economias menores da Grécia, Portugal e Irlanda encontram-se no epicentro do risco e das preocupações dos mercados, e não seus maiores vizinhos”.

Ela finaliza destacando que “é isto que ajudou na diminuição dos temores que afligiam o euro no início deste ano. E com as novas preocupações em torno da recuperação da economia norte-americana, assim como, com a forte possibilidade de continuação da flexibilização da política monetária do Federal Reserve (Fed), o euro parece que é a única moeda forte no mundo, embora para alguns países é um default.

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Fonte: Monitor Mercantil