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Gênio ignorado

Luce Pereira Publicado em 06.10.2010

Noutro dia, lendo uma reportagem sobre o italiano Umberto Eco, descobri que Mario Schenberg foi um dos seus grandes amigos. O escritor ainda se refere a ele com um carinho que salta aos olhos, o que seria suficiente para despertar a curiosidade de qualquer pessoas em torno da figura do físico que colecionava elogios da comunidade científica internacional, onde era tido como pessoa de talento raro.

Para desgosto de gente interessada em cultura como o jornalista Marcus Prado, a maioria dos pernambucanos deve se perguntar, mas o que o tal Schenberg tem a ver com esse lado de baixo do Equador? Tudo. Começa que é recifense de nascimento (1914) e tem como semelhança com outros grandes gênios da terrinha o fato de não passar de ilustre desconhecido, o que, mais do que uma lástima, é um vexame.

Que o diga a pesquisadora visitante do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo, a física e pesquisadora Amélia Império Hamburger, que tem o livro Obra Científica de Mário Schenberg – Volume 1 – de 1936 a 1948 entre os dez finalistas do 5º Prêmio Jabuti na categoria Ciências Exatas, Tecnologia e Informática. Especialista na área de História da Ciência, a professora não apenas pesquisa a obra de figuras de importância inquestionável nos primórdios da física moderna no Brasil como teve contato com várias delas, incluindo o próprio Schenberg. Mas o livro de Amélia não é o único capaz de ajudar os conterrâneos do físico a enxergar o valor da herança deixada para o mundo.

Em 1998, a SBPC publicou a obra Cientistas do Brasil, onde estão entrevistas com vários desses gênios. E para contribuir com a tarefa de lançar mais luz sobre a importância da obra de Schenberg, falecido em 1990, Prado se dedica a finalizar DVD no qual trabalha há muito tempo. Pode ajudar a diminuir o vexame – e a dívida.

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Fonte: Diário de Pernambuco