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No batuque da Copa: as canções que embalaram a torcida em 1950

André Cintra Publicado em 10.03.2014

Como se sabe, vai ter Copa! E, como se trata de Brasil, vai ter batucada também. O Carnaval 2014 foi apenas o pontapé inicial da tabelinha entre futebol e samba.

Como se sabe, vai ter Copa! E, como se trata de Brasil, vai ter batucada também. O Carnaval 2014 foi apenas o pontapé inicial da tabelinha entre futebol e samba. Só em São Paulo (SP), cidade da abertura da Copa do Mundo, ao menos sete escolas de samba e blocos carnavalescos se inspiraram no maior evento do Planeta. Foi o caso do bloco Tô no Vermelho (Do Copan à Copa: Brasil Campeão) e da Leandro de Itaquera (Ginga Brasil, Futebol É Raça. Em 2014 a Copa do Mundo Começa Aqui).

Não é a primeira vez, entretanto, que a música popular se rende a um Mundial da Fifa no País. A Copa do Mundo de 1950, realizada em seis cidades brasileiras, não teve um hino oficial. Em compensação, sobraram canções alusivas ao torneio, como as duas marchinhas lançadas naquele ano por Rubens Peniche (1921-2005) – Colosso do Maracanã e Marcha da Torcida.

Outro compositor a seguir o rastro do Mundial foi Lamartine Babo (1904-1963). Por ocasião da disputa da Taça Jules Rimet, o autor dos hinos de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo compôs – e Jorge Goulart (1926- 2012) cantou – a Marcha do Scratch Brasileiro: “Eu sou brasileiro, tu és brasileiro / Muita gente boa brasileira é / Vamos torcer com fé / Em nosso coração / Vamos torcer para o Brasil ser campeão” (...) / Salve, salve / O nosso Estádio Municipal / No campeonato mundial / Salve a nossa bandeira / Verde, ouro e anil / Brasil, Brasil, Brasil”.

Quando a bola rolou, a torcida, de forma espontânea, converteu a marcha Touradas em Madri, de 1938, numa espécie de música extraoficial da Copa-1950. Tudo por conta da goleada de 6 a 1 da Seleção Brasileira sobre a Espanha, em 13 de julho, já no quadrangular decisivo. Ainda no primeiro tempo, com o placar em 3 a 0 para o Brasil, os mais de 152 mil espectadores presentes no Maracanã passaram a cantar os versos de João de Barro, o Braguinha (1907-2006), e Alberto Ribeiro (1902-1971), consagrados nas vozes de Almirante (1908-1980) e Carmen Miranda (1909-1955): “Eu fui às touradas em Madri / Pararatimbum, bum, bum / Pararatimbum, bum, bum / E quase não volto mais aqui (...) / Eu conheci uma espanhola / Natural da Catalunha / Queria que eu tocasse castanhola / E pegasse touro à unha”.

Ary Barroso (1903-1964) – que, além de músico, era radialista, locutor esportivo e vereador – não ficou de fora. Confiante no desempenho do País no Campeonato Mundial, o autor de Aquarela do Brasil lançou mais um samba-exaltação, O Brasil Há de Ganhar, gravado em abril de 1950 por Linda Batista (1919-1988): “O Brasil há de ganhar / Para se glorificar / Bota a pelota no gramado / Palmas pro selecionado / Deixa a moçada se espalhar”.

Foi preciso esperar mais oito anos pelo título mundial – que só veio em 1958, na distante Suécia. No último jogo da Copa-1950, o Uruguai venceu o Brasil por 2 a 1, de virada, e ficou com a Taça Jules Rimet. Em vez de música, os minutos finais do torneio foram marcados pelo “maior silêncio do mundo” – o Maracanã, tomado por mais de 200 mil pessoas, emudeceu depois do segundo gol uruguaio. Mas a tradição de hinos, marchas, sambas e outras canções sobre a Copa do Mundo nunca mais se perdeu.

* André Cintra, jornalista, é assessor da SPCOPA (Comitê Especial para a Copa do Mundo de 2014, ligado à Prefeitura de São Paulo)