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Saída para a economia: planejamento para manter a renda e o investimento

Allysson Leandro Publicado em 08.05.2020

A segunda webconferência do ciclo de debates “Diálogos, Vida e Democracia” foi realizada nesta sexta-feira (08/05) das 14h30 às 15h40 com o tema “Pandemia,saídas para a economia”. O debate foi transmitido pelo Youtube doObservatório, pelas páginas no Facebook das fundações integrantesdo Observatório da Democracia e das TV Comunitária e da ABI.

Foto: Reprodução

O debate, mediado pelo jornalista Osvaldo Maneschy, da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, abordou as consequências econômicas da pandemia do Covid-19 (Coronavírus) com a análise de economistas. O objetivo do debate foi retratar os aspectos sociais, econômicos e políticos do Brasil. A mesa teve a participação do professor titular da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo, do ex-Diretor no Brasil do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ricardo Carneiro e do professor e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica do IE/Unicamp Guilherme Mello.

A coordenação da webconferência foi mediada pelo jornalista Osvaldo Maneschy, da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, que provocou o início do debate avaliando as atitudes do governo federal para conter a crise econômica. Osvaldo citou uma frase recente de Bolsonaro diante do Ministro do STF, Dias Toffoli, onde demonstrou maior preocupação com a falência de empresas do que a própria crise sanitária ao declarar que “haveria mortes de CNPJs”.

O ex-diretor pelo Brasil do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ricardo Carneiro, ressaltou a gravidade da pandemia e os impactos econômicos para o País. Ricardo demonstrou preocupação em relação as atitudes do governo federal diante da crise e defendeu a retomada de investimento em obras públicas paradas. “O que mais me preocupa é a forma que o governo federal lida com a questão humana e sanitária. A conta pode ser cara no futuro. É necessário a ampliação do investimento público como o programa Minha Casa Minha Vida”, disse Ricardo Carneiro.

Carneiro avaliou o planejamento econômico do governo durante a pandemia, e reprovou as medidas tomadas pelo Executivo para assistir famílias em vulnerabilidade. Como exemplo, citou a pressão do Congresso para conquista de um auxílio insuficiente para garantia do atendimento de necessidades básicas de famílias carentes durante a pandemia. Existem questões que, segundo Ricardo, devido ao boicote federal estão sem respostas no momento como a confirmação da extensão do programa emergencial com a finalidade de assegurar o isolamento social.

O professor da Unicamp e Diretor do Cecon/IE Unicamp, Guilherme Mello, usou a expressão americana “Too little too late” (Muito pouco, muito tarde), para retratar as medidas tomadas pelo governo federal. Guilherme destacou a falsa decolagem econômica apresentada pelo governo no início da gestão Bolsonaro e reprovou o preparo da administração do governo durante a chegada da crise provocada pelo Covid-19. “O governo é despreparado e inepto. Não conhece a máquina pública tampouco o funcionamento de uma economia monetária”, destaca Guilherme.

Sobre o Auxílio Emergencial, Guilherme criticou a incapacidade do governo em compensar as perdas do fluxo de renda com um plano adequado. De acordo com o professor, há uma necessidade de criar um programa de capital de giro compatível a realidade da sociedade brasileira. Guilherme lembrou da pressão do Parlamento para definição do valor do benefício. “O programa só acelerou graças à pressão do Congresso e da sociedade. Não podemos esquecer que a proposta inicial do governo federal para o auxílio era de R$ 200 e não os R$ 600. Isso significa que a pressão da sociedade diante da realidade obriga o governo adotar algumas medidas a contragosto”, afirma Guilherme.

O professor titular da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, enfatizou a importância de impedir o colapso completo dos circuitos de renda e riqueza. De acordo com o professor, através de um planejamento eficaz é possível manobrar a crise e evitar o desmoronamento da economia.

Belluzzo comparou os impactos econômico de grandes crises mundiais que ocorreram no passado e destacou algumas saídas para a economia. Segundo o professor, é fundamental usar as próprias instituições monetárias e financeiras para conter a crise atual. “Quando se tem um colapso fiscal como esse, a receita cai. Nesse sentido, o governo deveria fazer uma coordenação das atividades essenciais que não podem parar. Isso é uma espécie de economia de guerra com coordenação, planejamento e preservação de liquidez.

O ciclo de webconferências Diálogos, Vida e Democracia é realizada pelo Observatório da Democracia, fórum que reúne fundações do PROS, PT, PSB, PCdoB, PDT, PSOL e Cidadania, pretende agregar forças do campo democrático da política brasileira e construir propostas para enfrentar a crise política e econômica e os impactos da Covid-19 no país.