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Publicado em 23.04.2012
O socialismo em Cuba, na Venezuela, no Vietnã e na China
Por Osvaldo Bertolino
Na terceira parte do seminário “PCdoB, 90 anos: história, legado, lições e alternativa socialista”, o primeiro orador foi o vice-presidente da Asociación Nacional de Economistas y Contadores (Anec) de Cuba, Joaquim Infante Ugarte, ganhador do Prêmio Nacional de Economia e um dos autores dos “Lineamentos”, como são chamados as diretrizes apontadas pelo VI Congresso do Partido Comunista de Cuba, realizado em abril de 2011. Henrys Mogollón, representante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), foi o segundo a falar. O terceiro orador, o chefe do gabinete do Comitê Central do Partido Comunista do Vietnã, Duong Than Bac, fez um relato sobre os desafios do socialismo em seu país. Encerrando as intervenção, Huang Quinguo, ministro da embaixada da República Popular da China no Brasil, comentou aspectos da realidade econômica e política do gigante asiático.

Foto: Claudio Gonzales

Joaquim Infante Ugarte mostrou um amplo panorama dos “Lineamentos”, detalhando que eram o resultado de 163 mil reuniões que contou com a participação de mais de 8 milhões de cubanos. Numerosas emendas foram incorporadas ao texto do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba (PCC), um esforço para dinamizar a economia sem abrir mão das conquistas da Revolução. Joaquim Infante Ugarte enfatizou que as mudanças em curso terão a continuidade do Estado como ente planificador e regulador. Ele, que foi diretor do Orçamento Nacional entre 1976-1991 e colaborador de Ernesto Che Guevara quando o revolucionário argentino presidiu o Banco Central, ressaltou que muitos mecanismos administrativos estão sendo substituídos por outros que garantam mais eficiência econômica e financeira.

Segundo ele, um sistema tributário equilibrado, que impeça a excessiva concentração de renda por meio de impostos progressivos, também é parte importante das mudanças em andamento. A economia cubana, afirmou, deve criar condições para garantir as conquistas sociais e manter as contas externas equilibradas. Joaquim Infante Ugarte lembrou que o bloqueio do regime norte-americano ao país é um obstáculo considerável ao desenvolvimento cubano. Pelas suas contas, a ilha revolucionária já perdeu, nos 50 anos de vigência do bloqueio, a quantia de US$ 97,5 bilhões. Joaquim Infante Ugarte citou também as dificuldades enfrentadas por secas, furacões e ciclones que têm atingido o país.

O economista cubano comentou as debilidades do país, que, segundo ele, são decorrentes da baixa produtividade e do desestímulo ao trabalho. O objetivo é aprofundar a relação entre a ideologia revolucionária cubana e as mudanças empreendidas. A essência é a a intenção de consolidar a orientação socialista na construção social de novas condições internas e externas. Ela constitui o programa da nação cubana para enfrentar os problemas econômicos internos e externos e foi legitimada e enriquecida por um processo de grande participação popular.

Desafio da Venezuela

Henrys Mogollón, o representante do PSUV, abriu sua intervenção afirmando que o socialismo científico é a melhor via para a redenção dos povos. Segundo ele, esse é o objetivo estratégico do governo venezuelano. Para o representante venezuelano, que além de integrar a Comissão de Assuntos Internacionais do seu partido é deputado, a experiência do país resgata os ideais das grandes lutas de Simon Bolívar e de Ezequiel Zamora. Henrys Mogollón se estendeu sobre a idéia do socialismo, que, segundo, ele deve refletir as realidades de cada nação. Mas, em seu entendimento, os problemas e necessidades sociais são similares e só podem ser resolvidos com a cooperação e solidariedade, respeitando o direito internacional, a soberania e a autodeterminação dos povos. 

Os povos progressistas devem avançar, sob estes princípios, para enfrentar a ofensiva imperialista, afirmou. “Também não é um modelo para exportação, pois acreditamos que cada povo tem um enorme potencial para consolidar e assumir lutas em estágios avançados da superestrutura e, em seguida, transformar suas realidades", disse. "Homens e mulheres continuam a ser o motor para combater a exploração e a pilhagem em todas as suas formas, é um compromisso para o qual nos encontramos hoje (no seminário)”, comentou. "Neste espaço na América Latina emergiu como uma força histórica a possibilidade de mudar a realidade histórica com propostas concretas para a unidade e a integração”, asseverou.

Segundo Henrys Mogollón, "o desafio da Venezuela tornou-se uma grande esperança para os outros povos que lutam e resistem, com todos os seus defeitos”. “No entanto, nosso processo continuará a avançar o ideal bolivariano, unindo os movimentos sociais e políticos em torno da estratégia de acumulação de forças no campo das idéias para fazer avançar a prática necessária para assegurar o estabelecimento de uma nova ordem mundial multipolar", disse ele. "O esforço do povo da Venezuela para a sua libertação vem de uma longa história de revoluções e traição, no contexto das lutas de resistência dos nossos antepassados contra a conquista e o genocídio”, afirmou.

Porta da emancipação

Ele lembrou que essa história formou uma sociedade colonial com profundas desigualdades. Conseqüentemente, houve o despertar popular. "Tudo começou em 1806, com o precursor processo da revolução da independência, que se tornou a faísca para outros povos do continente começar uma guerra pela soberania e pela liberdade. Na Venezuela, o ideólogo e o grande ator dessas batalhas foi Simón Bolívar, que com sua genialidade foi capaz de conduzir o esforço emancipatório”, comentou. Henrys Mogollón explicou que uma situação semelhante ocorreu na intervenção histórica de Ezequiel Zamora. No século XX, destacou-se o movimento nacionalista liderado pelo General Cipriano Castro.

O país enfrentou a volta para o domínio dos impérios britânico e holandês, que quase iniciou uma guerra com a recusa de povo em pagar dívidas impostas por reformas destinadas a controlar a produção de petróleo. "No início de fevereiro de 1989, o povo cansado e castigado pelo pacote neoliberal decidiu iniciar uma segunda revolução da independência. Foram as rebeliões civis e militares. No final de 1998 e início de 1999, começou a revolução do século XX e século XXI na América Latina. O povo da Venezuela, pela primeira vez após os esforços incipientes de Simon Bolívar para criar uma grande República, começou a abrir uma porta de emancipação, a do socialismo", completou.

Vietnã e China

Duong Than Bac, representante do Partido Comunista do Vietnã (PCV), fez a intervenção seguinte. Para ele, o socialismo exige, atualmente, esforços teóricos e práticos para uma correta compreensão da realidade de cada país e internacional. Segundo ele, a queda do bloco soviético refletiu a formação de forças anti-socialistas, que, de maneira oportunista, se aproveitaram das debilidades do sistema para golpeá-lo por dentro. Para o representante vietnamita, o capitalismo, no entanto, tem demonstrado sua superação histórica. A atual crise econômica, afirmou, é uma comprovação de que a luta pelo socialismo continua na ordem do dia.

Encerrando as intervenções, o representante chinês fez um breve relato da história para reforçar a idéia de que o socialismo segue sua marcha de progresso no país. Segundo ele, hoje a luta é pelo progresso científico, base do desenvolvimento econômico e social. Lembrou que esse é um processo iniciado com a abertura inaugurada em 1978, atualmente liderado pelo presidente Hu Jintao. Ressaltou que o Partido Comunista indicou o socialismo com peculiaridades chinesas como base teórica para essa nova fase do país.

 

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