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Ato celebra candidaturas e clama por liberdade de Lula

Henrique Nunes Publicado em 11.09.2018

Tradicional teatro da PUC-SP reúne artistas, intelectuais e estudantes em nome da democracia e contra os retrocessos na educação após o golpe de 2016.

Manuela D’Ávila, Luiz Marinho, Eduardo Suplicy, Ana Bock e Ana Estella Haddad participam do evento no Teatro Tuca, da PUC-SP

Assista: ato em defesa da Educação, Ciência e Tecnologia em SP

 

Na noite desta segunda-feira (10), ocorreu o ato “Arrancada da Vitória” no Teatro Universidade Católica da PUC (Tuca) em São Paulo, parte do evento “Universidades, Ciência e Tecnologia com estudantes e intelectuais”.

“Aqui de longe consigo sentir a energia que irradia de mais uma noite histórica no Tuca. Nem a distância nem as paredes podem barrar”. O recado de Lula, lido sob lágrimas pelo ator Sérgio Mamberti, define com precisão o clima que tomou conta do Teatro da PUC-SP (Tuca) na noite de segunda-feira (10) durante o ato Arrancada da Vitória. (leia a íntegra abaixo)

A ausência do ex-presidente, representado por seu neto Thiago, foi suprida por falas contundentes de diversos candidatos do partido e aliados, além de atores, intelectuais, juristas e, claro, as três centenas de estudantes que lotaram a histórica arena da universidade. 

Estudantes, jovens, artistas e representantes de movimentos sociais conversaram com candidatos e lembraram daquele Brasil do Prouni, do FIES, da expansão das universidades e dos institutos federais, do Ciência Sem Fronteiras, enfim, daquele Brasil das oportunidades.

A deputada Manuela D’Ávila, que compõe a chapa presidencial representando o PCdoB, falou sobre os momentos de luta pela transformação do Brasil. O ex-presidente Lula possibilitou que aquele país sonhado se tornasse realidade para todos.

Para Manuela, o vice Fernando Haddad, quando ministro da Educação de Lula, foi responsável por uma das maiores transformações: “Tocar nesse lugar sagrado que, durante cinco séculos, a elite brasileira cultivou só para ela, como templo do conhecimento para si”.

 

Manuela D’Ávila expressou entusiasmo com o avanço da campanha pelo país. Ela sabe, como poucos candidatos, dialogar com a juventude, parcela maior do ato. “Esse é um ato especial porque acontece no Tuca e porque acontece com a ausência do maior líder popular da história do Brasil. Sentimos a ausência, mas é um ato sobre liberdade. Porque nós sabemos que em pouco mais de 20 dias o Brasil traçará seu rumo e poderá escolher se quer liberdade novamente ou não”, disse Manu, aplaudida de pé pelo público.

Manu também lembrou da importância de Lula e Haddad para a transformação da Educação no Brasil. “Lula teve coragem de colocar Haddad ministro e ele teve a coragem de democratizar a Educação. Haddad tocou num espaço sagrado das elites brasileiras: que é o ensino superior. Hoje ninguém contesta os resultados de uma década de inclusão nas universidades”, completou.

E Manuela D’Ávila completou: “Temos o direito à liberdade de o Brasil construir o seu futuro de forma soberana e feliz”.

Fernando Haddad, que teve de ficar em Curitiba para reunião com a Executiva do partido, mandou o seu recado pela voz de sua companheira Ana Estela.

“Haddad está aqui de coração, mas o momento é extremamente delicado.  A ONU enviou nova manifestação e estão descumprindo outra vez.  É muito triste ver o maior líder que esse país já teve privado de seus direitos políticos e o povo privado de sua soberania que é o voto popular”, lamentou.

É verdade que ver o filho do trabalhador na universidade incomodou muita gente; por isso, “a maior liderança que esse país já teve encontra-se privada dos seus direitos”, como bem lembrou Ana Estela Haddad.

Ana Estela, no entanto, tratou logo de espantar qualquer fagulha de pessimismo para deixar claro o que tem testemunhado nas andanças pelo país. “Diferentemente de 2016, ano do golpe e de um ataque sistemático contra o partido, o pulsar das ruas é agora outro. Não estamos sozinhos. O povo escolheu votar 13”.

Aloizio Mercadante, também ex-ministro da Educação durante os governos do PT, também defendeu o colega.  “Fernando Haddad teve papel extraordinário na educação infantil. Porque as crianças nascem com oportunidades diferentes e cabe ao Estado permitir que tenham oportunidade iguais.  Mas ele também foi decisivo para democratizar a educação e permitir que pessoas que nunca sonharam em entrar numa universidade saíssem com um diploma. Essa é a verdadeira revolução feita por Haddad no país”, completou.

Em seguida, Mercadante ainda criticou a postura dos que veem na violência a solução para todos os problemas do país. “Essa direita brasileira que acha que a solução é mais faca, mais revólver e mais fuzil não percebe que a solução sempre foi mais livros, mais caneta e mais escolas”.

A presidenta da UNE, Marianna Dias, concorda. Se dependesse dos que estão aí não teríamos nem candidato. Por isso esse grito de liberdade tem que ser ecoado. Somos o Brasil dos 8 milhões de estudantes universitários. Somos os filhos das cotas, Do ProUni, do Ciência sem Fronteiras… E esses milhões se chamam lula e Haddad. Agora, esses dois grandes brasileiros ganham o reforço de outra grande brasileira que é a Manu. Por tudo o que estão fazendo com o país, esta é a eleição mais importante da minha geração”, declarou.

O candidato ao governo do estado de São Paulo, Luiz Marinho abriu e fechou o evento como cerimonialista, acompanhado de sua vice, Ana Bock. “Essa demonstração de força que estamos vendo aqui nesta noite é a prova de que o povo quer mudança em todas as esferas, tanto no governo federal, quando no governo estadual e no Congresso. Só temos a agradecer o apoio de todos vocês”, afirmou Marinho.

 

Lula: “Meu coração bate dentro do peito de vocês”

Durante o evento, o ator Sérgio Mamberti leu carta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva direcionada aos participantes.

Confira a íntegra do documento:

Aqui de longe consigo sentir a energia que irradia de mais uma noite histórica no Tuca.

Nem a distância, nem as paredes podem barrar.

São Paulo se organiza para dar um basta no governo das elites, que sempre deu as costas para os mais pobres e para as demais regiões de nosso Brasil gigante.

Nosso rico potencial nas áreas da Educação, da Ciência, da Tecnologia e de todos os segmentos da Cultura volta a ser dizimado por um governo federal ilegítimo e por seus apoiadores estaduais.

Disse em minha despedida – naquele 7 de abril gravado como Dia da Vergonha – que a luta seguiria mais forte através de vocês. Minha alegria é saber que meu coração está presente esta noite no Tuca, batendo dentro do peito de vocês.

Minha voz é a voz de Luiz Marinho, de Ana Bock, de Suplicy e de Jilmar. De todos os que falarem ou cantarem os hinos da liberdade, da democracia, da justiça e da vitória.

Minha voz é a voz de Fernando Haddad e de todos os companheiros, em nossa jornada destemida para resgatar a dignidade nacional em todos os rincões do país.

Que este dia marque a arrancada para eleger Luiz Marinho governador de São Paulo, permitindo a nosso estado caminhar de mãos dadas com todo o povo brasileiro. Um povo que já deixou claro como vai votar nas eleições de outubro.

Vamos arrancar para a vitória nessas quatro semanas. Vamos firmar nesta noite esse compromisso de luta. Compromisso em nome da esperança que renasce. Em nome do Brasil que vai ser feliz de novo. Com a juventude seguindo na frente, as mulheres, a população negra, a classe trabalhadora, a Universidade, a Educação, a Ciência e a Cultura.

A verdade vencerá.

Publicado na Agência PT de Notícias