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O fascismo nasce da crise de hegemonia das classes dominantes

Renata Mielli Publicado em 13.05.2019

Na última sexta-feira, 09, a Fundação Maurício Grabois realizou o lançamento do livro do professor Gianni Fresu “Nas trincheiras do ocidente - Lições sobre o Fascismo e o Antifascismo. O lançamento contou com uma palestra de Fresu, que é professor de filosofia política na Universidade Federal de Uberlândia e doutor em Pesquisa em Filosofia pela Universidade de Urbino, na Itália.

Gianni Fresu debate o fascismo na FMG Foto: Gianni Fresu na Fundação Maurício Grabois

Em sua apresentação, o autor buscou resgatar os contextos históricos que deram origem ao fascismo na Itália e traçar paralelos para identificar elementos distintivos dos movimentos fascistas. Na introdução ele chama a atenção para a importância de saber identificar bem o fascismos dos demais movimentos de ultradireita.

Ele alerta que, "apesar de haver muitos estudos sobre esses movimentos, há uma representação superficial sobre o fascismo que pode levar a dois erros - classificar qualquer movimento de direita como fascismo ou dizer que o fascismo é de esquerda".

Fresu destaca que é preciso avaliar as condições que deram origem ao fascismo, entre elas que ele é resultado de uma "crise da hegemonia das classes dominante, de uma radicalização da burguesia reacionária e conservadora diante de um cenário de crise do capitalismo”. E segundo ele, "intelectuais foram cúmplices do fascismo, legitimando as ações das milícias. Como analisou Antonio Gramsci, é resultado de um processo orgânico cheio de contradições”.

“O fascismo não quer afastar as pessoas da política. Ele enfrenta a crise da economia liberal num momento de mobilização, ele arregimenta as massas populares e busca transformar a pessoa em soldado e o povo em exército”, explica. Para isso, continua, ele destrói a subjetividade das classes trabalhadoras para eliminar o conflito entre o capital e trabalho. É nesse contexto que surgem bandeiras como ‘A nação acima de tudo’, substituindo a luta entre as classes pela luta entre as nações e estimular o corporativismo como ideologia social, que se coloca como alternativa entre liberalismo e socialismo”, afirma.

O professor ressalta que o fascismo, ao contrário do que muitos pensam, não usa como principal recurso a força, “ele é uma organização sistemática do consenso, de domínio dos organismos funcionais da opinião pública, não é apenas o exercício monopolista da força”.  Como exemplo, o uso do cinema por Mussolini, que construir uma nova cultura o homem novo fascista através do cinema, com o objetivo de moldar e transformar a opinião pública.

 Sobre a ascensão da extrema-direita no mundo hoje, Gianni Fresu avalia que é possível identificar traços de fascismo nos movimentos políticos de direita hoje, que estão ganhando votos nas periferias desindustrializada e entre os trabalhadores, fruto da falta de alternativas que se apresentam diante da crise do capitalismo iniciada em 2008 e que perdura até hoje.