Prosa@Poesia

Chicago

Carl Sandburg Publicado em 07.07.2014

Chicago

 


Carniceira de Porco do Mundo,
Fazedora de ferramentas, Armazenadora de Trigo,
Jogadora de Ferrovias, Cargueira-Mor da Nação,
Tormentosa, grosseira, vociferante,
Cidade de Ombros Largos:

 


Me disseram que és malvada e acredito, porque vi tuas mulheres
pintadas embaixo dos lampiões de gás conquistando
os rapazes das fazendas.

 


E me disseram que és canalha e respondo: É, sim, eu vi o pistoleiro
matar e continuar livre para matar de novo.

 


E me disseram que és brutal e minha resposta é : Nos rostos das
mulheres e das crianças vi marcas da fome devassa.

 


E tendo assim respondido volto-me para os que zombam de
minha cidade e devolvo-lhes a ironia e diga-lhes:

 


Andem, me mostrem outra de cidade de cabeça erguida e cantando
tão orgulhosa de ser viva e rude e forte e esperta.

 


Atirando maldições magnéticas no meio da labuta de empilhar
emprego sobre emprego, eis aqui uma valentona alta
e ousada, em contraste com as cidadezinhas moles.

 


Bravia como um cão lambendo os beiços pronto para a ação,
esperta como um selvagem entrincheirando contra o deserto,


Cabeça nua,

 

Cavando,

 

Derrubando,


Planejando,


Construindo, rebentando, reconstruindo.

 


Debaixo da fumaceira, poeira na boca, rindo com os dentes
brancos  à mostra,


debaixo do fardo horrível do destino, rindo como um homem
jovem ri,


Rindo mesmo como ri um lutador ignorante que nunca
perdeu uma batalha,


Gabando-se e rindo porque sob seu punho está o pulso e sob
suas costelas o coração do povo.


Rindo!


Rindo e tormentoso, grosseiro, vociferante riso da juventude,
seminua, suada, orgulhosa de ser a carniceira, a Fazedora
de ferramentas, a Armazenadora de Trigo, a
Jogadora de Ferrovias e a Cargueira-Mor da Nação.

 

 


Carl Sandburg -  Tradução de  Mário Faustino