Prosa@Poesia

Canto a Elisa Branco

Lila Ripoll Publicado em 31.08.2010

Pesadas grades, hirtas e escuras,
estão paradas
e perfiladas
junto às janelas da cela escura
que esconde Elisa – a de nome simples,
de nome claro
de nome branco,
a de alma clara.

Passam soldados,
voltam soldados,
e os doces olhos da prisioneira
são águas claras que não se turvam.

Pesadas grades,
hirtas e escuras,
estão paradas e perfiladas
como soldados
junto às janelas.

Elisa Branco
– na cela escura –
está rodeada de pensamentos
puros e claros como seu nome.

Que importam grades junto às janelas?
E esses soldados que passam, passam?
e os sons soturnos
que marcam, marcam
os duros passos das sentinelas?

Elisa Branco sorri e espera.
Não sente o peso das escuras grades,
nem ouve a marcha de duros passos,
que dia e noite,
que noite e dia,
passa e repassa
junto às janelas da cela escura.

Elisa Branco confia e espera –
Elisa simples,
de nome claro,
de nome branco,
de alma clara.

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