Prosa@Poesia

O Albatroz

Charles Baudelaire Publicado em 13.02.2007

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Às vezes, em receio, os homens da equipagem
pegam um albatroz, enorme ave marinha
que segue, companheiro indolente de viagem,
o navio que sobre o agro abismo caminha.

Mal no convés se vê, todo desconjuntado,
logo esse rei do azul, em passos desiguais,
como dois remos, põe-se a arrastar a seu lado,
desajeitadamente, as asas colossais.

Esse alado viajor, como é grotesco andando!
Inerme, o que antes no alto era a esbelteza brava!
Um chega-lhe o cachimbo ao bico, e outro, coxeando,
arremeda no andar o pobre que voava!

O poeta é o albatroz que nas nuvens se espraia,
que afronta a tempestade e ri das setas no mar;
exilado no solo, em meio ao riso e à vaia,
suas asas de gigante impedem-no de andar.

 


Onestaldo de Pennafort – Poesia
Tradução de Onestaldo de Pennafort
Editora Record – edição 1987.