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Livro “Uma poética em Cena” traz peça inédita de Maiakósvki

Divulgação Publicado em 13.08.2018

Livro lançado pela editora Perspectiva tem a peça ‘Os Banhos’, do poeta Vladímir Maiakóvski, traduzida diretamente do idioma russo, pelo poeta e tradutor Luiz Sampaio

O livro “Uma Poética em Cena” é uma pérola para os amantes das artes cênicas e operários do teatro. Além de trazer a inédita tradução em Língua Portuguesa da peça “Os Banhos – Drama em Seis Atos com Circo e Fogos de Artifício” realizada pelo poeta e tradutor Luiz Sampaio, traz  um ensaio de Reni Chaves Cardoso (1945 – 2008), pesquisadora de teatro e doutora pela Universidade de São Paulo, sobre a encenação original por Meyerhold e Maiakósvki (Moscou – 1930). Inclui, ainda, o texto da peça “A Barraca de Feira”, de Alexandr Blok (1906) e uma proposta de encenação meyerholdiana, com desenhos de cenário, máscaras e figurinos, elaborada pela autora.

Sobre o poeta e tradutor Luiz Sampaio

Luiz Sampaio, que estudou literatura em Moscou, aprendeu a admirar Vladímir Maiakóvski como um dos mais importantes poetas do século XX, grande inovador da língua russa, que entregou-se de corpo e alma à revolução socialista de 1917 e à criação de uma linguagem poética que espelhasse na arte o espírito revolucionário daquele momento da história de seu país e de toda a humanidade.

“Os Banhos – Drama em Seis Atos com Circo e Fogos de Artifício” foi a última peça de Maiakóvski, escrita em 1930 a pedido do diretor e seu grande admirador Meyerhold e encenada no Teatro Estatal V. Meyerhold, há exatos 29 dias antes do suicídio do grande poeta.

Maiakóvski, que desde os 15 anos de idade havia dedicado toda sua vida e sua arte aos ideais da revolução de 1917, treze anos após a tomada do poder pelos soviéticos estava muito decepcionado pelos rumos tomados pela história e criticava duramente a burocracia que havia se instaurado no poder. “Os Banhos” queria dar um banho nos burocratas e lavar a União Soviética destes tipos antirrevolucionários que, segundo Maiakóvski, eram um desvio nos caminhos que poderiam levar ao futuro e à construção do socialismo.

Como era de se esperar, a peça foi muito criticada pelos órgãos do poder. “Os Banhos” foi proibida e voltou a ser encenada, poucas vezes, somente após 1955.

A presente tradução do original russo, inédita em português, foi elaborada para a tese de doutoramento de Reni Chaves Cardoso, na USP, sobre a encenação original da peça.

Blog “Arca de Palavras”

Além de tradutor, Luiz Sampaio é poeta e lançará em breve seu blog “Arca de Palavras”  https://www.luizsampaio.com onde publicará três audiovisuais inéditos produzidos e dirigidos por ele, gravados no estúdio Dublavideo em São Paulo. 

O primeiro audiovisual reunirá fotos da montagem original de “Os Banhos”, 1930, com a gravação, em áudio, do primeiro ato da peça, por atores que deram vida aos personagens.

O segundo apresentará os poemas/palavras de ordem de Maiakovski, escritos em cartazes e pendurados no palco e na plateia na encenação original de “Os Banhos”, gravados em russo e em português e montados sobre fotos do poeta.

O terceiro constará da gravação, em áudio, de um texto de Jacó Guinsburg, professor emérito da Universidade de São Paulo, fundador e diretor da editora Perspectiva, sobre a peça “A Barraca de Feira”, incluindo palavras do diretor Meyerhold sobre sua montagem original em 1908. Neste audiovisual serão projetados os desenhos da proposta de encenação elaborada por Reni Chaves Cardoso.

Luiz Sampaio, por Luiz Sampaio

Sou as palavras que sou.

São de mim o que restará, além das memórias dos meus gestos a se dissiparem rápida ou lentamente em direção ao sempre.

Cresci entre leitores e livros. Aos nove anos ganhei um diário encadernado em azul, com a palavra “Pensamentos”. Ali copiei poemas e me dediquei a grafar os sentimentos que me afligiam. Nunca mais parei.

Estudei literatura, sonhando-me poeta.

A sobrevivência arremessou-me à deriva, a mares mais que distantes: ao espaço. Trabalhei uma vida implantando planetários e observatórios astronômicos públicos.  Hoje me dedico especialmente aos planetários e à criação de centros de ciências para a educação não formal.

Sou perseverante. Cruzei desertos e anos escrevendo apesar do silêncio.

Do francês, traduzi “Esperando Godot” de Samuel Beckett. Do russo, poemas de Púshkin e Liérmontov, além de “Os Banhos – Drama em Seis Atos com Circo e Fogos de Artifício”, de Maiakóvski.

Sigo vivo e ativo na sonora companhia das minhas palavras.

Minha canoa do amor não se espatifou no cotidiano.