Intervenção do Vice-Presidente Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Walter Sorrentino, na 3ª Conferência Acadêmica Internacional sobre “O Partido Comunista da China e o Mundo” – “O Caminho Chinês para a Modernização e Uma Nova Forma de Avanço da Humanidade” realizada pela Universidade Renmin da China. A Conferência reuniu nos dias 25 e 26 de novembro de 2022 cerca de 26 políticos e acadêmicos de 14 países.

Leia abaixo a intervenção de Sorrentino na íntegra.

É uma honra dirigir-me a vocês em congratulações pelo êxito do 20º Congresso do PC da China num momento de regozijo pela vitória extraordinária alcançada no Brasil, elegendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Derrotamos o principal representante mundial da extrema-direita no governo de um grande país, que promoveu o desmonte do Estado Nacional e era candidato à reeleição.

Com Lula se abrirão novos rumos ao Brasil, à democracia e, sobretudo, à reconstrução e transformação nacional, com desenvolvimento soberano, progresso social e um lugar altivo e proativo do país no mundo.  

Teremos um grande reforço da parceria estratégica global entre China e Brasil, no âmbito do BRICS e do multilateralismo, o que será um grande impulso para o cumprimento do projeto nacional de desenvolvimento vitorioso nas urnas.  

É alvissareiro que essa jornada coincida com a realização exitosa do 20º Congresso do PC da China, sob a liderança de Xi Jinping, aos quais saúdo calorosamente.

O PC da China dirige a epopeia histórica de revitalização da nação chinesa no mais avançado experimento de um novo desenvolvimento econômico e social, a partir dos prodigiosos avanços da ciência e do engenho humano, assentado em características singulares da grande nação chinesa, convivendo num mundo interdependente, de predomínio capitalista. 

Com este vitorioso congresso, abre-se uma nova era na China, pela construção integral de um país socialista moderno, adequando a linha estratégica a tal propósito.

A China desponta como desbravadora, adaptando a teoria marxista socialista ao tempo contemporâneo, para as suas condições singulares. A direção do poder político pelo partido PC Ch mostra-se decisiva, com uma impressionante capacidade de adequar estratégias a cada etapa e fase da construção econômica, um planejamento racional e científico, o elevado domínio sobre a lei de construção socialista e as leis do desenvolvimento da sociedade humana. 

A experiência chinesa vem comprovando que a prática é o critério da verdade e motor do desenvolvimento teórico. 

Fosse apenas uma obra de cunho nacional, já seria magnífica para uma população que supera a soma de todos os países desenvolvidos, e uma economia que já é a maior do mundo em PPP, que eliminou a pobreza, disputa a ponta tecnológica e desenvolve as formas de planejamento econômico mais avançadas. 

Mas o 20º Congresso projeta-se além, tem muito a dizer ao mundo e aos próprios destinos da Humanidade. 

Os últimos quarenta anos, em especial, foram de trevas, crises e agressões. As mudanças de alcance histórico na revolução das forças produtivas e na correlação de forças internacionais que se vive no mundo, ao lado das crises múltiplas do mundo capitalista, de fato apresentam desafios e imprevisibilidades.

Mas, ao mesmo tempo, hoje se criam oportunidades estratégicas para superar os dilemas que se vive em escala global. No plano geopolítico global, um novo ascenso do status internacional da China e sua proposição por maior papel na governança global, de índole progressista, terá uma importância extraordinária para os povos. 

Então, apesar de tudo, já assoma no horizonte um novo tempo de esperança. 

Gosto de pensar que estamos indo bem além de considerar o socialismo como uma nova lógica sistêmica pronta e acabada, como o pensamos durante o século XX. 

O que está se desenvolvendo é pensá-lo histórica e concretamente, no espírito dos desafios do tempo – o contexto nacional e mundial, em especial -, como um regime que se desenvolve de maneira temporal, numa série de etapas e fases, num sistema de relações que abrangem não apenas a base material em interação com o caráter do regime político e institucional, como também na interação entre produção e reprodução social e a relação entre sociedade e natureza.

Trata-se de uma visão mais elevada de totalidade histórica concreta, de múltiplas determinações em interação dinâmica e contraditória, em conexão global. No seio disso, uma condição chave é interpretar as singularidades de cada Formação Econômica Social nacional, onde convivem sincronicamente (e contraditoriamente) modos de produção em configurações singulares, historicamente constituídas. 

Isso significa que a abordagem estratégica nacional segue indispensável. A autodeterminação e desenvolvimento soberano das nações, de caráter contra hegemônico face à lógica da financeirização neoliberal e neocolonial, ocupam papel decisivo.

Tais eventos são históricos e nos estimulam, como dizia o ainda jovem Marx em Carta a Arnold Ruge, em 1843, a promover o “auto entendimento da época sobre suas lutas e desejos.” Ele nos chamava a “não irmos ao encontro do mundo de modo doutrinário com um novo princípio…, não antecipar dogmaticamente o mundo, mas encontrar o novo mundo a partir da crítica ao antigo.”  

Esse é o desafio para todos nós. O que está em curso na China é um trabalho pelo mundo e por nós, ressignificando o socialismo. Se queremos assumir nossa responsabilidade pelo destino dos povos, do planeta e das relações civis e humanas, e enriquecer a bela sinfonia da civilização, temos que promover um novo horizonte socialista e fazê-lo a partir dos marcos concretos do tempo presente e das crises globais em curso. 

Justíssimo, pois, o PC da China dirigir o poderoso chamado a um destino comum da Humanidade, de interesses compartilhados entre as nações, democratizando as relações internacionais, em prol da paz mundial, como via para assegurar condições de vida material e espiritual mais elevadas aos povos de todo o mundo.

Muito obrigado.

Walter Sorrentino – Vice Presidente Nacional do Partido Comunista do Brasil