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A vez de São Paulo

Sérgio Cabral Publicado em 03.08.2010

Assim como o Rio de Janeiro está se redesenhando para receber os Jogos de 2016, São Paulo pode aproveitar a Expo-2020 para se reinventar

São Paulo está prestes a apresentar a sua candidatura oficial para sediar a Exposição Universal de 2020. É uma grande notícia. O Brasil do pré-sal, da inclusão social, da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 merece receber esta que é uma dos maiores exposições do mundo.

Para se ter uma ideia das dimensões do projeto, tome-se o exemplo da Expo-2010, aberta em maio com a participação recorde de 189 países na metrópole chinesa de Xangai: espera-se que, até o final de outubro, as centenas de pavilhões sejam visitadas por mais de 70 milhões de pessoas, seis vezes o número de turistas dos Jogos Olímpicos de Pequim.

A ideia das feiras mundiais tem 150 anos, mas o seu fascínio é eterno: reunir em um mesmo lugar, para visitação pública, o melhor do engenho humano de todas as partes do mundo. A primeira feira, em Londres, em 1851, criou um símbolo que marcou o imaginário de toda uma época, o Palácio de Cristal.

Os Estados Unidos comemoram o centenário da independência em 1876 com uma megaexposição na Filadélfia. Um dos primeiros a visitar os pavilhões americanos, o imperador d. Pedro 2º foi então apresentado a Graham Bell, que lhe mostrou sua recente invenção, o telefone. D. Pedro testou o aparelho recitando um “to be or not to be”.

Feliz com a experiência, o imperador disse a Bell: “Quando este aparelho estiver no mercado, o Brasil será o primeiro comprador”.

E não foi apenas o telefone. Da máquina de escrever Remington ao nylon, dos trens de metrô aos protótipos de foguetes, milhares de invenções que mudaram a vida de todos nós foram apresentadas primeiro nas exposições universais. Mas essas feiras marcaram, principalmente, as suas cidades-sede.

Paris não seria Paris se não fosse a Feira Universal de 1889, que mostrou ao mundo a engenharia da torre Eiffel. Mais recentemente, Lisboa aproveitou a Expo-1998 para recuperar áreas degradadas com a construção do Oceanário e do Parque das Nações.

Agora, é a vez de São Paulo.

Ao se candidatar a acolher um megaevento, toda cidade ganha uma meta. Da lista de encargos das organizações promotoras às demandas dos turistas potenciais, a cidade-sede de um evento mundial tem a oportunidade de unir os seus cidadãos em torno de um sonho.

Assim como o Rio de Janeiro está se redesenhando para receber os Jogos de 2016, São Paulo pode aproveitar a oportunidade da Expo-2020 para se reinventar. No Rio, a prefeitura prepara a maior intervenção urbana das últimas décadas para reformar a zona central e portuária da cidade.

Sediando a Expo-2020, São Paulo terá a oportunidade de repensar o uso do espaço urbano, não apenas para os milhões de visitantes mas para os próprios paulistanos.

Os que enxergam a política com “p” minúsculo podem estranhar esta minha defesa veemente de São Paulo como sede da Expo-2020.

É porque muita gente ainda raciocina com o mesmo estilo mesquinho daqueles que tentam aprovar no Congresso Nacional a emenda que rouba os recursos dos royalties de petróleo do Estado do Rio. Defendo a divisão justa dos ganhos com o petróleo pelos mesmos motivos que apoio a candidatura de São Paulo a sediar um evento internacional tão ambicioso. Porque, acima das piadas bairristas, das rivalidades do futebol, somos complementares. O Rio não seria o que é sem ter São Paulo, e vice-versa.

Um dos segredos da escolha da “Cidade Maravilhosa” como sede dos Jogos de 2016 foi o apoio incondicional de São Paulo. Depois de sediar a Copa e a Olimpíada, o Brasil tem todas as condições de receber a Expo-2020. São Paulo merece!

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Governador do Estado do Rio de Janeiro e candidato, pelo PMDB, à reeleição

Fonte: jornal O Estado de S. paulo