Prosa@Poesia

Do ciclo os mistérios do ofício

Ana Akhmátova Publicado em 13.04.2009

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Não me importa o exército das odes,
Nem o jogo torneado da elegia.
Nos versos, tudo é fora de propósito.
Não como entre as pessoas, - me dizia.

Saibam vocês, o verso, é do monturo
Que eles se alenta, sem vexame disso,
Como um dente-de-leão pegado ao muro,
Anserina, bardana, erva-de-lixo.

Grito de zanga, um travo de alcatrão,
Um bolor misterioso que esverdinha...
E eis o verso, furor e mansidão,
Para alegria de vocês e minha.

(1940) 

Poesia russa moderna – Nova antologia
Tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman
Editora Brasiliense – 3ª edição, 1985