Ao completar um ano de vida, com o seu 12.º número, “Problemas” consagra-se em nossa Pátria como uma Revista vitoriosa sob vários aspectos.

Sua tiragem total, neste seu primeiro ano de trabalhosas atividades para a causa da libertação do Brasil do jugo imperialista, atingiu a mais de 120 mil exemplares. Este fato só por si indica o incontestável sucesso de “Problemas”.

Mas é claro que semelhante êxito não se deve a causas fortuitas. Ele resulta, antes de mais nada, do próprio caráter da revista, que desde seu número inicial se dedicou à difusão de artigos e estudos de conteúdo marxista-leninista.

Como revista teórica, “Problemas” trouxe inegável contribuição à frente ideológica no Brasil, ajudando a desenvolver e elevar o nível ideológico dos combatentes da causa democrática e antiimperialista. Não o fez, porém, sem deixar de situar-se, com o mais estrito rigor, dentro daquele lema de Stalin, tão bem delineado nos “Fundamento do Leninismo”, e segundo o qual:

a “teoria deixa de ter objetivo quando não se acha vinculada à prática revolucionária, do mesmo modo que a prática é cega se a teoria revolucionária não ilumina o seu caminho”.
Na verdade, inúmeras têm sido as experiências práticas ligadas à teoria e trazidas ao conhecimento geral em nosso país através das páginas de “Problemas”. Não será exagero afirmar que, por esse meio, foi realizado um trabalho de substancial importância para esclarecer o que são as novas democracias e o papel que desempenham ao lado da URSS na ampliação e consolidação da frente democrática mundial contra a política expansionista, sobretudo do imperialismo norte-americano.

De outro lado, por intermédio de tão útil publicação, têm vindo à luz as experiências e os ensinamentos das lutas dos países coloniais em prol de sua independência nacional. Situações de países como a Indonésia, o Vietnam, a Birmânia, a China ficaram deste modo conhecidas com mais fidelidade, além do enorme cabedal de lições que nos foi possível colher da atuação dos seus melhores combatentes pela causa da libertação de suas pátrias.

Também, dentro da mesma orientação, “Problemas” conseguiu prestar um enorme serviço ao nosso povo, ajudando a desmascarar toda a política expansionista do Plano Marshall.

No que diz respeito aos fatos nacionais, não resta dúvida que os esforços da revista têm sido concentrados em mostrar como se processa a penetração imperialista no Brasil e qual a tática de que tem lançado mão o inimigo.

Sem dúvida nenhuma, porém, a grande contribuição dada a “Problemas”, na parte nacional, coube ao camarada Prestes, com o seu notável trabalho publicado sob o título “Como enfrentar os problemas da revolução agrária e anti-imperialista”.

Esse estudo assinala uma reviravolta em toda a nossa linha política e, pela profundidade teórica de suas concepções como pela oportunidade de suas diretivas práticas, figura em nossa revista como uma inesgotável fonte de ensinamentos e o mais importante guia de ação para todos os patriotas e lutadores da causa de nossa independência.

Atenção especial foi dada às biografias das mais destacadas figuras do movimento operário, o que, por seu turno, constitui um dos meios mais eficientes de educar os novos combatentes através dos grandes exemplos dos revolucionários.

Os mais importantes ensinamentos, todavia, foram transmitidos com a divulgação dos principais informes dos 9 Partidos Comunistas que se fizeram representar na primeira reunião do Bureau de Informação, em setembro do ano passado. Desses informes, o primeiro a ser publicado foi o de Zhdanov (“Problemas”, n.° 5). Sua indiscutível importância pode ser avaliada peio papel que vem desempenhando o Bureau de Informação no fortalecimento da frente anti-imperialista mundial, em face da luta travada entre os dois campos tão bem definidos no informe.

Mas se devemos assinalar como êxitos seguros esses aspectos das atividades de “Problemas”, ao registrarmos o seu primeiro aniversário, nem por isso podemos deixar de reconhecer as suas inúmeras debilidades.

É visível, por exemplo, de um lado, a falta de estudos sobre os problemas latino-americanos, e de outro lado, o pequeno número de artigos sobre assuntos nacionais em face do predominância dos assuntos estrangeiros.

Estes, em si mesmos, são indispensáveis, e além de constituírem um dos motivos do êxito da revista, nos proporcionam riquíssimos ensinamentos, que mais nos fortificam na convicção de que a independência nacional só se conquista sob a bandeira do internacionalismo proletário.

Mas também é da própria essência do marxismo-leninismo-stalinismo reconhecer a necessidade do estudo da situação nacional de cada país, da trama interna dos acontecimentos, sem o que a classe operária ficará impedida de desempenhar o seu papel da vanguarda na luta da libertarão nacional.

No novo ano de atividades que se abre para “Problemas”, ao definirmos suas tarefas, não poderemos, por certo deixar de levar em conta que nosso primeiro cuidado deve ser ampliar o número de matérias sobre a situação nacional.

Com isso contribuiremos para esclarecer melhor a terrível penetração que o imperialismo norte-americano vem fazendo em nossa. Pátria, e ajudaremos a desenvolver o vasto movimento de frente única anti-imperialista. A luta pela defesa de nossa soberania, contra a entrega de nossas bases aos imperialistas norte-americanos, pela defesa de nosso petróleo, contra a Standard Oil, contra a Light, pela defesa da indústria nacional contra a concorrência imperialista norte-americana, bem como o esforço da classe operária para resistir à terrível ofensiva dos patrões, pela elevação dos salários à custa dos lucros extraordinários, uma divulgação maior dos assuntos sindicais ou a ampliação dos estudos sobre a questão agrária no Brasil e o combate ao monopólio da terra, tudo isso deverá constar das tarefas de “Problemas” no seu segundo ano de existência. Simultaneamente, porém, torna-se preciso trazer com mais frequência para as páginas da revista os assuntos latino-americanos, enquanto persistimos, por outro lado, nas tarefas que nos ocuparam no primeiro ano. Popularizar os êxitos do socialismo na URSS, as valiosas experiências das novas democracias e os ensinamentos das lutas dos países coloniais contra o imperialismo, divulgar os exemplos revolucionários da vida das grandes figuras do movimento operário são, pois, tarefas que continuam de pé.

Nenhuma dessas tarefas, entretanto, sobreleva a do aproveitamento, no dizer de Prestes, dessa grande lição prática de marxismo-leninismo-stalinismo que é a Resolução de Bucareste.

Apoiados nesse documento, de transcendente importância para o movimento mundial de libertação dos povos e particularmente para o povo brasileiro, devemos abrir as páginas de “Problemas” ao esclarecimento das teses da Resolução mais relacionadas com os nossos assuntos e as condições do nosso país.

Essa a tarefa mais importante que teremos de enfrentar, no cumprimento das finalidades a que se propôs “Problemas”, visando não só continuar a receber, como até agora, o apoio de sua grande massa de leitores, mas também contribuir para o desenvolvimento de nossa frente ideológica no Brasil.

“Só um partido dirigido por uma teoria de vanguarda pode cumprir sua missão de combatente de vanguarda”.
                                                                                                                                                                       Lenin