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    Comunicação

    A melancolia do crepúsculo

    Vida e Poesia de Olavo Bilac – Capítulo XXIII A melancolia do crepúsculo (Fernando Jorge) “… O primeiro encontro de Olavo Bilac com Amélia de Oliveira, após o rompimento do noivado, ocorreu em 1910, na casa do Professor Hemetério dos Santos. Alberto Oliveira e Amélia foram à residência de Hemetério, a fim de cumprimentá-lo pelo […]

    POR: Redação

    3 min de leitura


    Vida e Poesia de Olavo Bilac – Capítulo XXIII A melancolia do crepúsculo

    (Fernando Jorge)


    “… O primeiro encontro de Olavo Bilac com Amélia de Oliveira, após o rompimento do noivado, ocorreu em 1910, na casa do Professor Hemetério dos Santos.
    Alberto Oliveira e Amélia foram à residência de Hemetério, a fim de cumprimentá-lo pelo seu aniversário.
    Quando chegaram à casa do professor negro, viram que Bilac se achava presente. Ele correu para abraçar Alberto. E avistando Amélia, ficou surpreso. No entanto, emocionado, sem proferir uma palavra, estendeu a mão à criatura que havia sido maior sonho de sua mocidade. Amélia, também comovida, retribuiu o cumprimento.
    Poucos dias depois, Olavo descreveu, num soneto, o casual encontro com a mulher amada:
    “Depois de tantos anos, frente a frente,
    Um encontro… O fantasma do meu sonho!
    E, de cabelos brancos, mudamente
    Quedamos frios, num olhar tristonho.

    Velhos!… Mas, quando, ansioso, de repente,
    Nas suas mãos as minhas palmas ponho,
    Ressurge a nossa primavera ardente,
    Na terra em bênçãos, sob um sol risonho:

    Felizes, num prestígios, estremecemos;
    Deliramos, na luz que nos invade
    Dos redivivos êxtases supremos;

    E fulgimos, volvendo à mocidade,
    Aureolados dos beijos que tivemos,
    No divino milagre da saudade.”

    As lembranças do passado aspiraram a Bilac o sonêto “Remorso”, cheio de pungente sinceridade:
    “As vezes, uma dor me desespera…
    Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
    Cismo e padeço, neste outono, quando
    Calculo o que perdi na primavera.

    Versos e amores sufoquei calando,
    Sem os gozar numa explosão sincera…
    Oh!mais cem vidas! com que ardor quisera
    Mais viver, mais pensar e amar cantando!

    Sinto o que esperdicei na juventude,
    Choro, neste começo de velhice,
    Mártir da hipocrisia ou da virtude,

    Os beijos que não tive por tolice,
    Por timidez o que sofrer não pude,
    E por pudor os versos que não disse!”

    Os momentos de prazer são efêmeros como a florescência das rosas. É preciso, portanto,  que vivam em nossa memória, à semelhança de um eco que não se extingue, à maneira de um perene raio de luar refletido na dimensão infinita da eternidade.
    A vida ensinou isto a Bilac, mas ele, sem as ilusões da juventude, já não podia aproveitar a lição.”

    Vida e Obra de Olavo Bilac
    Fernando Jorge
    Edições MM, 2 ed. – pág. 327 e 328