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    Comunicação

    Minha Cidade

    Minha Cidade Goiás, minha cidade… Eu sou aquela amorosa de tuas ruas estreitas, curtas, indecisas, entrando, saindo uma das outras. Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa. Eu sou Aninha. Eu sou aquela mulher que ficou velha, esquecida, nos teus larguinhos e nos teus becos tristes, contando estórias, fazendo adivinhação. Cantando teu passado. […]

    POR: Redação

    2 min de leitura

    Minha Cidade

    Goiás, minha cidade…
    Eu sou aquela amorosa
    de tuas ruas estreitas,
    curtas,
    indecisas,
    entrando,
    saindo
    uma das outras.
    Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa.
    Eu sou Aninha.

    Eu sou aquela mulher
    que ficou velha,
    esquecida,
    nos teus larguinhos e nos teus becos tristes,
    contando estórias,
    fazendo adivinhação.
    Cantando teu passado.
    Cantando teu futuro.

    Eu vivo tuas igrejas
    e sobrados
    e telhados
    e paredes.
    Eu sou aquele teu velho muro
    verde de avencas
    onde se debruça
    um antigo jasmineiro,
    cheiroso
    na ruinha pobre e suja.

    Eu sou estas casas
    encostadas
    cochichando umas com as outras.
    Eu sou a ramada
    dessas árvores,
    sem nome e sem valia,
    sem flores e sem frutos,
    de que gostam
    a gente cansada e os pássaros vadios.

    Eu sou o caule
    dessas trepadeiras sem classe,
    nascidas na frincha das pedras:
    Bravias.
    Renitentes.
    Indomáveis.
    Cortadas.
    Maltratadas.
    Pisadas.
    E renascendo.

    Eu sou, a dureza desses morros,
    revestidos,
    enflorados,
    lascados a machado,
    lanhados, lacerados.
    Queimados pelo fogo.
    Pastados.
    Calcinados.
    e renascidos.
    Minha vida,
    meus sentidos,
    minha estética,
    toda as vibrações
    de minha sensibilidade de mulher,
    têm, aqui, suas raízes.

    Eu sou a menina feia
    da ponte da Lapa.
    Eu sou Aninha

    Cora Coralina – Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais
    Global editora
    14 ed.