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    Comunicação

    Versos para crianças

    Titubeante, o menino Tonio, Um dia, disse a seu pai: “Meu pai, me sinto confuso a razão não vejo qual, Nunca sei o que é bom, Nem tampouco o que é mau, Com a sua autoridade Responda, meu pai, se sabe!” Segredos de alguém revelar o que há de pior! Mas em versos vou contar […]

    POR: Redação

    3 min de leitura

    Titubeante, o menino Tonio,
    Um dia, disse a seu pai:
    “Meu pai, me sinto confuso
    a razão não vejo qual,
    Nunca sei o que é bom,
    Nem tampouco o que é mau,
    Com a sua autoridade
    Responda, meu pai, se sabe!”
    Segredos de alguém revelar
    o que há de pior!
    Mas em versos vou contar
    O que disse o pai ao menor.

    Se o vento põe tetos no chão,
    Se o céu numa torrente chora,
    Sair é mau e só um doido então
    Arrisca o seu nariz de fora.
    O sol venceu a chuva e o frio
    E no alto voltou a brilhar?
    Assim é bom vir para a rua
    Trabalhar, passear ou brincar.

    Ter a cara cor de alcatrão
    Ou suja que nem chaminé
    Dá coceira e a pele tisna
    E um mal, sem dúvida, é.
    Gostar de água e de sabão,
    Os dentes, a roupa escovar,
    Os cabelos pentear, isto é bom,
    Isto sim, é coisa exemplar.

    Meninos que mordem, batem
    Nos pequenos, nos fedelhos
    Está errado, não permito,
    Aqui lhes dou meus conselhos.
    Para sempre os advirto:
    Jamais bater nos menores
    Eis que uma norma a guardar.
    Meninos que assim procedem
    A gente tem que estimar.

    Se este destrói seus brinquedos
    E os livros rasga, fagueiro,
    Aquele, que é pioneiro, clama:
    “Fica-lhe mal, companheiro!”
    Porém, se aos livros ele ama
    não anda a gazetear,
    Então vai bem e terá fama
    Entre mil a se destacar.

    Ter medo de um pobre corvo?
    Fugir em vez de enfrentar?
    Covardia! E fica feio
    Se a coragem lhe faltar.
    Simples aves de rapina
    A gente não deve temer
    Pois a vida nos ensina
    Quanto vale combater.

    Camisa branca qual jasmim
    Torná-la a cor de tição
    Não lhe parece ruim?
    Pois é coisa de vilão!
    Trazer sapatos brilhantes
    Assim é que deve ser
    Para pequenos ou grandes
    A limpeza é um dever.

    Tudo que vive, cresce.
    O porco já foi leitão.
    A criança que ora nasce.
    Depois será cidadão.

    Tonio ouviu todo este tom
    ao pai respondeu no final:
    “Sempre farei o que é bom,
    Nunca farei o que é mau”.


                                                     (1925)
    Maiakóvski Vida e Poesia
    Coleção a Obra – Prima de cada autor
    Martin Caret
    Tradução Emilio C. Guerra e Daniel Fresnot