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    Comunicação

    A CRUZ DE GIZ

    A CRUZ DE GIZ   Eu sou uma criada. Eu tive um romance Com um homem que era da SA. Um dia, antes de ir Ele mostrou-me, sorrindo, como fazem Para apanhar os insatisfeitos. Com um giz tirado do bolso do casaco Ele fez uma pequena cruz na palma da mão. Ele contou que assim, […]

    POR: Redação

    1 min de leitura

    A CRUZ DE GIZ

     

    Eu sou uma criada. Eu tive um romance
    Com um homem que era da SA.
    Um dia, antes de ir
    Ele mostrou-me, sorrindo, como fazem
    Para apanhar os insatisfeitos.


    Com um giz tirado do bolso do casaco
    Ele fez uma pequena cruz na palma da mão.


    Ele contou que assim, e vestido à paisana
    anda pelas repartições do trabalho
    Onde os empregados fazem fila e protestam
    E protesta juntamente com eles, e fazendo isso
    Em sinal de aprovação e solidariedade
    Dá uma palmadinha nas costas do homem que protesta
    E este, marcado com a cruz branca
    é apanhado pela SA.


    Nós rimos com isso.


    Andei com ele um ano, então descobri
    Que ele havia retirado dinheiro
    Da minha caderneta de poupanças.


    Havia dito que a guardaria para mim
    Pois os tempos eram incertos.


    Quando lhe pedi satisfações, ele jurou
    Que as suas intenções eram honestas.


    Dizendo isso
    Pôs a mão no meu ombro para me acalmar.
    Eu corri, aterrorizada.


    Em casa
    Olhei para as minhas costas no espelho, para ver
    Se não havia uma cruz branca.

     

     

     

    Bertolt Brecht

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