Nesta semana em que o PCdoB celebra seus 103 anos de fundação, destacamos a intervenção do dirigente comunista Enio Lins no Programa Permanente de Formação, que revisitou a história da criação do Partido Comunista do Brasil com a partir de personagens alagoanos. Sua fala, traz dados históricos e resgata a trajetória de militantes que marcaram a luta revolucionária no país.
Figura como central nos primeiros anos do Partido o poeta, ensaísta, farmacêutico e revolucionário Octávio Brandão. Seu livro Agrarismo e industrialismo foi pilar da tese central do 2º Congresso do PC do Brasil, em 1925. Primeiro editor-chefe do jornal A Classe Operária, também tinha forte atuação no movimento sindical e foi eleito – junto com o marmorista negro Minervino de Oliveira – a intendente (vereador) do Distrito Federal.
Leia aqui a intervenção de Enio Lins: A criação do PC do Brasil, Octávio Brandão e outras alagoanidades
Por conta da perseguição política, foi para a União Soviética, em 1931, com sua mulher – a poetisa Laura Brandão – e suas três filhas. Com a democratização, volta ao Brasil em 1946 e, sem muito tempo para campanha, é eleito vereador do Rio de Janeiro com 5.121 votos (o terceiro mais votado da chapa comunista).
Veja o documentário Octávio Brandão: As lutas do seu tempo, na TV Grabois:
Enio lembra a figura de José Oiticica – junto com Edgard Leuenroth, o maior líder anarquista brasileiro na década de 1910. Apesar de mineiro, a alagonidade de Oiticica o faz um filho da terra de Octávio Brandão.
Oiticica é da fração que saiu lesada com a migração de anarquistas para o bolchevismo entre 1921 e 1923. Em artigo de 1956, um ano antes de morrer, acusa Astrojildo Pereira e Octávio Brandão de “cavilação manhosa” para ganhar adeptos anarquistas para o PC do Brasil. Oiticica morreu nas hostes do anarquismo, sendo um grande revolucionário, respeitado por parte dos comunistas.
A intervenção também lembra da Dra. Nise da Silveira. Aproximou-se, ainda estudante de medicina no Rio de Janeiro, das leituras marxistas, através de, entre outros, Octávio Brandão. Nos anos 1930, ajudou a dar corpo à União Feminina do Brasil (UFB) e à Aliança Nacional Libertadora, com o objetivo de combater o integralismo e construir a libertação nacional brasileira. Foi presa junto com Olga Benário e se tornou uma das principais psiquiatras do país.
Enio concluiu sua intervenção, realizada na última quinta-feira (27), no Programa Permanente de Formação do PCdoB, em Alagoas, com uma crônica interessante sobre uma ligação parental entre Octávio Brandão e Fernando Henrique Cardoso.
A construção da história dos comunistas brasileiros e seu partido, a partir dos fatos e personagens locais, traz uma imensa riqueza de abordagens e documentos. Enio faz seu recorte de 1917 a 1947 e, como ele mesmo diz: “No mais, tem muito mais.”
Aguardamos a continuidade da pesquisa, com resultado, estilo e traço de Enio Lins, para contribuir com a pesquisa e escrita da história do Partido Comunista do Brasil.