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    Economia

    Dependência do Brasil hoje: fatores estruturais e como superá-los

    Confira a análise dos professores Marcio Pochmann e Euzébio Jorge.

    POR: Redação

    4 min de leitura

    O simpósio “Desafios brasileiros em direção ao novo ciclo de desenvolvimento soberano”, organizado pela Fundação Maurício Grabois, debateu, nesta terça-feira (01/04), os desafios da superação da Nova Dependência. O tema foi abordado na 11a. mesa do evento, que contou com a participação dos professores Marcio Pochmann e Euzébio Jorge.

    Essa mesa teve por objetivo discutir as características da nova condição de dependência do Brasil e os desafios contemporâneos para sua superação, considerando as transformações geopolíticas, climáticas, tecnológicas e demográficas que reconfiguram o cenário global e exigem um novo projeto nacional de desenvolvimento.

    Confira a programação e veja os vídeos dos debates já realizados

    Crítica à Teoria dos Mercados e à Assimetria Global

    Euzébio Jorge apresentou uma crítica às teorias liberais clássicas sobre mercados eficientes e vantagens comparativas. Resgatando o pensamento estruturalista latino-americano e a teoria da dependência, apontou que a inserção dos países periféricos na economia mundial é marcada por assimetrias estruturais. Destacou a herança colonial e escravista brasileira como base de um capitalismo deformado, dependente da importação de tecnologias e padrões culturais inadequados às realidades locais.

    Veja a participação de Euzébio Jorge: 

    Retrocesso Estratégico e Desindustrialização

    Márcio Pochmann traçou um panorama da industrialização brasileira, com destaque para os anos 1970 e 1980, quando o país avançou em áreas como energia nuclear, etanol e informática. No entanto, denunciou o desmonte dessas capacidades a partir dos anos 1990, sob influência das políticas neoliberais e pressões externas. Segundo ele, o Brasil sofreu um “retrocesso inegável” em suas capacidades estratégicas.

    Confira a participação de Márcio Pochmann:

    Geopolítica e Oportunidades para o Sul Global

    Pochmann destacou a ascensão da China e o deslocamento do centro dinâmico da economia mundial para o Oriente como uma janela de oportunidade para o Sul Global. Observou a interiorização do dinamismo econômico no Brasil, em contraste com a estagnação das regiões litorâneas, e defendeu a ampliação das rotas de integração sul-americana entre Atlântico e Pacífico

    Mudança Climática, Envelhecimento e Transições em Curso

    Pochmann alertou para os impactos da mudança climática, como a elevação do nível do mar, e para a necessidade de se preparar para o envelhecimento populacional e a redução absoluta da população. Destacou a urgência de políticas públicas que considerem esses novos parâmetros. Também abordou a transição digital e a importância da soberania sobre dados e da bioeconomia como saídas estratégicas para o país.

    Trabalho, Economia Popular e Pós-Capitalismo

    Ao comentar as transformações no mundo do trabalho, Pochmann rejeitou a ideia de desemprego tecnológico em massa e destacou a expansão das formas alternativas de trabalho, como os milhões de brasileiros que monetizam conteúdos em redes sociais. Apontou o crescimento da economia popular e de subsistência, que já ultrapassa a metade da população ocupada, e defendeu políticas públicas voltadas a esse setor, como bancos comunitários e moedas sociais.

    Planejamento e Superação da Visão Macroeconômica Limitada

    Sérgio Cruz e Euzébio Jorge enfatizaram a necessidade de retomar o planejamento estratégico de longo prazo, superando o foco exclusivo em variáveis macroeconômicas como inflação e juros. Para Euzébio, o Brasil precisa enxergar as oportunidades oferecidas pelas transições digital e ecológica, e retomar o debate sobre um projeto de desenvolvimento que vá além do PIB

    Ausência de Ousadia e Caminhos Alternativos

    Pochmann criticou a ausência de ousadia do atual governo em formular alternativas ao modelo capitalista dominante. Argumentou que a realidade do emprego e da produção no Brasil já se distancia das estruturas típicas do capitalismo industrial, o que exige uma nova lógica de políticas públicas orientadas para a maioria da população.

    O debate teve coordenação de Madalena Peixoto e moderação de Sérgio Cruz.

    Em breve a íntegra de todos os debates estará disponível na TV Grabois.