Os bandidos estadunidenses novamente despejaram, com a costumeira covardia e a tranquila insolência do milionário boçal topetudo, no comando da operação neocolonial, pesados bombardeios sobre a Venezuela, um país cujas posições os incomodam.
Os governos latino-americanos minimamente preocupados em banir os métodos de gangsters na política internacional condenaram os ataques desfechados pelos valentões do Pentágono e da Casa Branca contra um país irmão. O governo brasileiro também repudiou a agressão criminosa. China e Rússia denunciaram a violação do território de um Estado soberano. Não faltaram, porém, governos covardes que acharam mais prudente fingir que estavam distraídos.
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Os de maior vocação para capachos “descobriram” que o presidente Nicolás Maduro não teria sido eleito “democraticamente”. Nas redes sociais, os lambe-botas do imperialismo referiram-se à “operação dos Estados Unidos que depôs o ditador Nicolás Maduro na Venezuela — combinada às ações de Donald Trump para influenciar eleições na região”.
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Os sabujos mais indecentes descrevem o sequestro do presidente como uma “captura”, termo reservado a criminosos que caem nas mãos da polícia. Perante o crime consumado, a atenção se desloca para seus desdobramentos. A questão decisiva é a resistência venezuelana ao agressor imperialista. A solidariedade internacional, começando pela dos países latino-americanos e estendendo-se às grandes potências anti hegemônicas, pode impor um custo elevado à estúpida iniciativa de Trump e de seus comparsas, discípulos contemporâneos de Al Capone.
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Desde que, em vergonhosa debandada, foram escorraçados do Vietnã após terem cometido incontáveis crimes de guerra (perenizados na foto de um grupo de crianças vietnamitas aterrorizadas, com os corpos queimados pelo “napalm” lançado pela US Air Force), os estadunidenses, cada vez mais acanalhados, foram à forra contra adversários mais fáceis, como a pequena ilha de Granada e o Haiti.
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Não parece que se atreverão a invadir o território da Venezuela, embora não faltem na Casa Branca e no Pentágono nostálgicos empenhados em “make America great again” (fazer a América grande novamente). Se se atreverem, levarão o mundo, uma vez mais, à beira de um confronto de consequências literalmente catastróficas. Mais do que nunca, a unidade anti-imperialista é indispensável para deter o que o comandante Ernesto Guevara classificou, em um discurso célebre, de pior inimigo do gênero humano: os Estados Unidos da América do Norte.
Mentindo como respira, o Hitler topetudo da Casa Branca acabou de vomitar mais uma de suas péssimas intenções: “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos — e não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. Os psicopatas sempre pensam que as pessoas com transtornos mentais são as outras. Dizem os manuais de economia que a demanda gera a oferta. É a miséria cultural e moral da sociedade estadunidense que estimula os traficantes.
João Quartim de Moraes é professor universitário, formado em Filosofia e em Direito na Universidade de São Paulo. Em 1968-69 participou da resistência clandestina à ditadura militar. Passou os anos setenta exilado na França. Após a anistia, voltou ao Brasil. Professor de Filosofia na Unicamp, publicou vários livros e muitíssimos artigos no Brasil e na Europa. É pesquisador sênior do Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Seus temas centrais: história do pensamento político, materialismo antigo e moderno, marxismo, instituições brasileiras.
*Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial da FMG.