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    América Latina

    Mortes em Minneapolis: Trump aumenta violência para abafar caso Epstein

    Acusações em torno das listas de Jeffrey Epstein podem implicar o presidente dos EUA em casos de pedofilia e estupro de menores

    POR: Ana Prestes

    7 min de leitura

    Protesto em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, após a morte do enfermeiro Alex Pretti por agentes do ICE em 24 de janeiro de 2026. Foto: Xinhua
    Protesto em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, após a morte do enfermeiro Alex Pretti por agentes do ICE em 24 de janeiro de 2026. Foto: Xinhua

    A morte a tiros do enfermeiro Alex Pretti em Minneapolis no sábado (24) é resultado de uma guerra campal que acontece dentro dos Estados Unidos contra a população imigrante pela polícia política de Trump: ICE – sigla em inglês do órgão federal de imigração e alfândega dos Estados Unidos, responsável por esse e outros assassinatos de cidadãos estadunidenses este ano.

    Estamos em janeiro de 2026, um ano após a posse de Donald Trump para seu segundo mandato. Naqueles dias de janeiro de 2025, criticamos e nos indignamos com o tratamento dado aos migrantes indocumentados. A deportação, principalmente de latino-americanos — brasileiros, colombianos e mexicanos —, superou todo o contingente anterior já nos primeiros dias de mandato, em condições absolutamente degradantes, sem acesso a alimentos ou banheiros.

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    Isso gerou revolta na presidenta Claudia Sheinbaum, do México, um posicionamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil, e do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que chegou a impedir o pouso de aviões para exigir condições humanitárias básicas.

    Já sabíamos que a questão migratória seria um dos carros-chefes deste mandato, baseada na criminalização do migrante. Trump construiu uma narrativa de que governos latino-americanos enviam propositalmente criminosos, pessoas violentas ou com doenças psiquiátricas para invadir os Estados Unidos e cometer crimes como roubos e estupros.

    É um discurso xenófobo e anti-migratório, pois a maioria dos migrantes são trabalhadores que assumem trabalhos desvalorizados e mal remunerados: serviços na lavoura, construção civil e limpeza pública, assim como no setor de cuidados, limpeza das casas e baby sitting, que muitas vezes os próprios cidadãos estadunidenses não querem fazer.  Não sabíamos, contudo, que a violência da polícia migratória –  com meta a cumprir em número de pessoas deportadas –  chegaria ao ponto de vitimar os próprios cidadãos dos Estados Unidos.

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    Vimos cenas absurdas de pessoas sendo arrancadas de suas casas, jogadas no chão e agredidas com os joelhos no pescoço — método que vitimou George Floyd em maio de 2020, também em Minneapolis. Isso tem gerado mobilizações, manifestações e uma importante movimentação no Congresso dos EUA,  que pode impactar as eleições de meio de mandato e a recomposição do Legislativo. 

    Há uma crise interna de grandes proporções dentro dos Estados Unidos com a política de imigração que se tornou uma agenda central da política interna de Trump, com mandatos executivos reforçando fronteiras, ampliação de operações policiais, priorizando detenções, deportações em massa e ações urbanas amplas.

    Protesto em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, em 24 de janeiro de 2026, após a morte de Alex Pretti, foi baleado por agentes federais em Minneapolis, a maior cidade do estado americano de Minnesota, na manhã de sábado (24). Foto: Xinhua

    É importante entender como esse cenário crítico impacta a política externa, que está mais agressiva e violenta. Vimos o sequestro de Cilia Flores e do presidente Nicolás Maduro na Venezuela, acordos com Paraguai e Argentina, o cercamento do Panamá e ataques verbais a Cuba que podem a qualquer momento se transformar em ataques concretos. A América Latina vive hoje os efeitos de uma renovação da Doutrina Monroe.

    Assassinatos ligados ao ICE

    Três assassinatos que marcaram este início de ano, ligados a agentes do ICE. Na noite de Ano Novo, um homem de 43 anos, pai de família com duas crianças, foi baleado por um agente fora de serviço.

    Um manifestante usando um chapéu com um slogan participa de um protesto contra a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) em Pasadena, condado de Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos, em 10 de janeiro de 2026. Foto: Xinhua

    No dia 7 de janeiro, Renee Nicole Good, mãe de três filhos, educadora e poeta foi assassinada enquanto tentava se deslocar em seu carro, de onde havia uma operação do ICE  em Minneapolis. Alegaram legítima defesa, embora vídeos mostrem que ela não estava ameaçando a integridade daqueles agentes.

    A gota d’água foi o caso Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, assassinado também em Minneapolis. Alex era técnico de enfermagem e foi morto ao tentar proteger uma mulher que estava sendo agredida por agentes do ICE.

    Proprietário de arma legal com licença válida para porte em Minnesota, Pretti estava com a arma no coldre em sua cintura no momento da abordagem, mas em nenhum momento ele sacou essa arma. Imagens analisadas pela BBC e pelo The New York Times mostram que um dos agentes federais retirou a arma de Pretti enquanto ele já estava imobilizado no chão, segundos antes de outros agentes dispararem contra ele diversas vezes.

    Cerimônia memorial no dia 25 de janeiro de 2026 no local onde Alex Jeffrey Pretti foi morto a tiros por agentes federais em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos. Foto: Xinhua

    Essas operações funcionam como uma cortina de fumaça para afastar as acusações que cercam Trump, especialmente em torno das listas de Epstein, que podem implicar o presidente dos EUA em casos de pedofilia e estupro de menores.

    Para lutar contra essa agenda adversa, ele aumenta o nível de violência interna e externa, ameaçando a Groenlândia, a Venezuela, o Irã e Cuba. Há também a proposta de um “Conselho de Paz” para Gaza — que o presidente Lula felizmente recusou —, que na verdade planeja uma limpeza étnica para a construção de um resort sobre os escombros do povo palestino.

    A agressão do imperialismo estadunidense é histórica, mas a dimensão que ganha neste primeiro ano do novo governo Trump é um ponto de inflexão perigoso para a humanidade. É necessária uma forte integração sul-americana para lidar com essa estratégia de sobrevivência de uma hegemonia em declínio.

    Percebo uma crescente indignação, insubordinação e revolta de parte da população dos Estados Unidos contra essa polícia fascista, no sentido de fazerem barricadas, protegerem casas, pessoas, escolas e crianças. Há casos de crianças presas, como o do menino Lian, de cinco anos, preso com seu pai por agentes do ICE, que estão geram mobilização mundial. É um momento delicado e precisamos estar atentos ao que acontece internamente nos Estados Unidos.

    Assista a íntegra do programa Conexão Sul Global com Ana Prestes:

    Ana Prestes é pesquisadora do Observatório Internacional, Grupo de Pesquisa da Fundação Maurício Grabois, e Secretária de Relações Internacionais do PCdoB. Comanda o programa Conexão Sul Global, exibido pela TV Grabois.

    *Análise publicada originalmente no programa Conexão Sul Global (TV Grabois), em 29/01/2025. O texto é uma adaptação feita pela Redação com suporte de IA, a partir do conteúdo do vídeo.

    **Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial da FMG.

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