Para muitos – mergulhados em suas tarefas do dia a dia, certamente relevantes – persistem dúvidas quanto à oportunidade da realização da 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março, em Porto Alegre (RS), berço do Fórum Social Mundial.
A gravidade da situação mundial – onde o fascismo ressurge com força em toda parte, atacando as liberdades democráticas mais elementares, fazendo tábula rasa dos direitos civis e trabalhistas; em que o imperialismo se torna cada vez mais agressivo, atropelando o Direito Internacional, a Carta da ONU e a autodeterminação dos Povos, sancionando, atacando e bombardeando as nações que não se submetem aos seus ditames; sequestrando e assassinando seus chefes de Estado – é a resposta cabal a essas dúvidas.
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Nunca, como hoje, a luta contra o imperialismo e o fascismo – que nasce do ventre do capital monopolista – foi tão atual e necessária. É uma ilusão indesculpável acreditar que é possível construirmos nações soberanas, democráticas e mais justas sem enfrentar e derrotar o imperialismo e o fascismo. E essa luta precisa ser articulada internacionalmente, pois cada nação, isoladamente, é presa fácil do imperialismo e do fascismo.
Isso não significa abandonar a luta nacional. Como assinalaram Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista:
“A luta do proletariado contra a burguesia, embora não seja na essência uma luta nacional, reveste-se, contudo, dessa forma nos primeiros tempos. É natural que o proletariado de cada país deva antes de tudo liquidar sua própria burguesia. […] Como […] o proletariado tem por objetivo conquistar o poder político e erigir-se em classe dirigente da nação, tornar-se ele mesmo a nação, ele é, nessa medida, nacional, embora de nenhum modo no sentido burguês da palavra.”
Por essas razões, é imprescindível e inadiável a realização da 1ª Conferência Internacional Antifascista, que reunirá lideranças democráticas, progressistas e de esquerda, com o objetivo de construir – colocando de lado as diferenças menores – a mais ampla unidade na luta internacional contra o fascismo e o imperialismo.
Expressando essa necessidade, a Conferência está sendo promovida por mais de 100 entidades e instituições, já conta com a inscrição de 3.500 lideranças de 30 países, de todos os continentes, terá um Fórum de Autoridades Democráticas Antifascistas, 11 mesas estruturantes, 1 mesa extraordinária sobre o Irã e 150 mesas e atividades autogestionárias – organizadas por partidos, organizações sociais, movimentos e coletivos.
Se desenrolará na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em entidades sindicais e nas ruas! É uma construção ampla e unitária, de diferentes forças políticas – como o PT, o PCdoB e o PSOL, agora com a adesão do PSB – que deixaram de lado as suas diferenças para construir um grande evento, cujas mesas estruturantes serão transmitidas ao vivo pela internet, com tradução simultânea em português, espanhol, francês e inglês.
As inscrições permanecem abertas, sem qualquer custo, e podem ser feitas no site oficial do evento.
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+ Conheça as atividades autogestionadas
Te esperamos em Porto Alegre ou – se não puderes vir – acompanhando pela internet esse evento histórico!
Dinâmica da Conferência
26 de março
Na quinta-feira, a partir das 14h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, no Centro Histórico de Porto Alegre, será realizado o Fórum de Autoridades Democráticas Antifascistas, com duas mesas: O papel e os limites da ação institucional na luta democrática e Experiências de aprofundamento da democracia em governos populares. Delas participarão parlamentares e gestores do Brasil, Espanha, Portugal, França, Itália, Turquia, Estados Unidos, Cuba, Venezuela, Uruguai, Argentina e Chile.
Simultaneamente, às 15h, no Auditório da AIAMU, ocorrerá a conferência extraordinária A agressão imperialista e a resistência do povo iraniano, com a participação de uma representação do Irã.
Às 18h, a Conferência Internacional tomará as ruas de Porto Alegre com uma Marcha de Abertura.
27 de março
Na sexta-feira, a programação ocorrerá no auditório da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Às 9h, será realizada a mesa estruturante A ofensiva da extrema direita no mundo: causas, consequências e desafios.
Às 11h, ocorrerá a mesa A luta contra o fascismo neoliberal de Milei.
Após o almoço, os trabalhos serão retomados às 14h com a mesa O enfrentamento dos trabalhadores ao neoliberalismo e ao fascismo, seguida, às 16h30, por O Brasil sob a ameaça da ultradireita e do imperialismo.
Às 19h, acontecerá a última mesa do dia: A solidariedade entre os povos e a luta anti-imperialista.
Às 20h30, fora da programação oficial, será realizado um jantar comemorativo dos 104 anos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), cujo aniversário é celebrado em 25 de março.
28 de março
No sábado, as atividades ocorrerão nas dependências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no Campus Centro.
A manhã será reservada a cerca de 150 mesas e atividades autogestionadas, distribuídas em diferentes espaços da universidade e também em entidades sindicais.
Destaco algumas mesas autogestionadas, sem demérito das demais:
Às 9h, na Sala II do Salão de Atos, a mesa Cuba e Venezuela não estão sós, com representações dos dois países.
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Às 11h, no mesmo local, a mesa A luta pelo socialismo, contra o fascismo e o imperialismo, com representantes dos partidos comunistas de Cuba, Portugal, Uruguai, Chile, Colômbia, Argentina e Brasil, além do PT.
Simultaneamente, no Pantheon da Faculdade de Direito da UFRGS, ocorrerão outras duas mesas autogestionadas sobre a temática do lawfare.
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A partir das 14h, serão retomadas as mesas estruturantes, iniciando-se por A resistência palestina ao genocídio e à opressão do Estado de Israel.
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Às 16h30, ocorrerá a mesa O combate ao fascismo nas Américas e, às 19h, A luta contra o negacionismo climático e pela reforma agrária no contexto da crise ambiental.
No mesmo horário, na Assembleia Legislativa, será realizada a mesa autogestionada Big techs, redes sociais e soberania.
29 de março
No domingo, a programação terá início às 9h com a mesa Antirracismo, feminismo e direitos civis na luta contra o fascismo, seguida, às 11h, por Educação, ciência e tecnologia para a soberania dos povos.
Os trabalhos serão retomados às 14h30 com a mesa final: Resistências, articulações, desafios e alternativas: outro mundo é possível.
Às 16h30, ocorrerá a Assembleia Geral para aprovação da Carta de Porto Alegre — construída coletivamente e mediante consultas prévias — que deverá apresentar um diagnóstico da realidade internacional, registrar pontos de unidade e propor ações unitárias globais contra o fascismo e o imperialismo.
Um espaço de articulação unitária internacional
O objetivo não é criar uma nova organização internacional, que se some às já existentes — como o Fórum Social Mundial, o Fórum de São Paulo, a Internacional Progressista, a Internacional Antifascista, a Tricontinental, o Fórum Internacional Antifascista, a ALBA, o CADTM e o ATTAC —, mas constituir um espaço de ações unitárias, no qual essas articulações, respeitadas as suas especificidades, possam construir iniciativas conjuntas de alcance global.
Amplitude e unidade são a receita da vitória!
Raul Carrion é historiador. Membro da Secretaria de Relações Internacionais do PCdoB, integra o Comitê Organizador da 1ª Conferência Internacional Antifascista.
*Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial da FMG.