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    Democracia

    Nádia Campeão: 104 anos do PCdoB nas lutas do povo e nas disputas do presente

    Presidenta interina do Partido reafirma orientação socialista, resgata trajetória revolucionária dos comunistas e convoca forças progressistas para os embates eleitorais de 2026

    POR: Nádia Campeão

    9 min de leitura

    Crianças no palco do 16º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), realizado em outubro de 2025, em Brasília (DF). Foto: J. Lee Aguiar
    Crianças no palco do 16º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), realizado em outubro de 2025, em Brasília (DF). Foto: J. Lee Aguiar

    PCdoB, 104 anos de lutas no passado, no presente e apontando para o futuro

    O PCdoB chega aos 104 anos reafirmando os compromissos e princípios históricos assumidos pelos aguerridos fundadores do nosso Partido em 25 de março de 1922, conforme as deliberações do vitorioso 16º Congresso realizado em 2025. Somos o partido mais antigo do Brasil, com uma trajetória de lutas intensamente rica em defesa do proletariado brasileiro, da soberania nacional e da construção do Socialismo.

    O partido mais antigo do país é, ao mesmo tempo, o que tem as ideias mais jovens, comprometido com o desenvolvimento econômico que combine crescimento sustentável, assentado em intenso desenvolvimento das forças produtivas, com distribuição equilibrada da riqueza produzida pelo próprio povo, uma democracia de fato popular e com uma nação soberana, que se integre ao mundo sem submissão a quem quer que seja. São elementos estabelecidos no Programa Socialista do PCdoB, cujo eixo central é a conquista de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, o caminho brasileiro rumo ao Socialismo.

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    + Rumos soberanos para o Brasil e a construção de um novo projeto nacional 

    A rica história do PCdoB está ligada à própria trajetória das lutas do povo brasileiro nestes 104 anos. Costumamos dizer que não há acontecimento relevante na história do Brasil neste período sem a presença marcante dos (as) comunistas. No cenário nacional, em torno das grandes lutas centrais que moldaram o Brasil de hoje, com seus avanços e limites, mas também em diversas frentes de luta que o proletariado vem travando em busca de melhores condições de vida, confrontando o capitalismo concentrador de riqueza, profundamente excludente e submisso aos imperialismos, conforme cada época.

    Do movimento sindical – elemento central da própria fundação do Partido – às lutas pela emancipação das mulheres, contra o racismo, pelas liberdades religiosas e contra os preconceitos de todo tipo, passando pelas batalhas envolvendo as disputas eleitorais, desde os primeiros anos após a fundação, a tônica da vida dos (as) comunistas em todos os ciclos históricos tem sido travar as duras batalhas da luta de classes em suas múltiplas dimensões, sempre levantando alto a bandeira em defesa do Socialismo.

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    Assista ao ato nacional online pelos 104 anos do PCdoB, realizado nesta quarta-feira (25):

     

    Nosso Partido pagou pesados preços pela ousadia de lutar por um país novo, notadamente em dois períodos ditatoriais muito intensos, como o do Estado Novo (1937-1945) e durante a Ditadura Militar (1964-1984), acumulando ainda mais de 60 anos de clandestinidade. Centenas dos nossos militantes e dirigentes sofreram duramente nos cárceres daquelas ditaduras. Muitos foram mortos.

    + Heróis e mártires de uma longa e árdua jornada

    O movimento operário e sindical, que sempre teve na presença dos comunistas um dos seus principais pilares organizados, sofreu duras perseguições por governos distintos, situação que só teve uma alteração positiva significativa após a redemocratização conquistada pelo nosso povo após o fim da Ditadura de 1964, em especial com a aprovação da Constituição Cidadã de 1988, que contou com o incessante trabalho e contribuições da nossa aguerrida bancada de deputados constituintes.

    O combate à negação do papel do partido revolucionário

    Na luta histórica pelo Socialismo, enfrentamos movimentos internos de caráter liquidacionistas e reformistas, em diversos momentos. O mais duro embate, entre o final dos anos 1950 e início dos anos 1960, solidificou uma corrente revolucionária liderada por grandes camaradas como João Amazonas, Maurício Grabois, Pedro Pomar e Elza Monerat, entre outros (as). Essa corrente rompeu com as concepções reformistas que imperaram em boa parte do então PCB, onda que vinha da União Soviética à época liderada por Nikita Kruschev, que passou a adotar uma política de conciliação com o imperialismo estadunidense. Esse processo resultou na reorganização do Partido em 1962, quando foi adotada a atual sigla PCdoB.

    Nestes 64 anos após a reorganização, o PCdoB trilhou um caminho de intensificação revolucionária, enfrentou com coragem as duas décadas terríveis da Ditadura Militar, perdeu dezenas de quadros na resistência armada do Araguaia (1972-1974) e teve seu Comitê Central violentamente atingido em 1976, no episódio que ficou gravado como “Chacina da Lapa”. Persistiu na luta democrática compondo-se com outras forças democráticas e progressistas na luta pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita (1979), nas grandes jornadas pelo fim da Ditadura que resultaram na formação da Nova República (1985), na conquista da nossa tão almejada legalidade naquele mesmo ano e nos embates contra o neoliberalismo na década de 90.

    Momento-chave nestes 41 anos desde a legalização foram os anos após a dissolução da União Soviética e do Bloco Socialista, entre o final dos anos 1980 e início dos 1990. Diversos partidos comunistas pelo mundo, especialmente na Europa, foram dissolvidos, mudaram de nome, programa e abraçaram as ideias reformistas adaptando-se à nova onda política criada pelo imperialismo estadunidense e europeu, que proclamaram o “fim do Socialismo” e a vitória total do Capitalismo.

    Nosso Partido, à luz de uma profunda crítica e autocrítica realizada sobre a trajetória anterior e da gigantesca experiência da construção da União Soviética, seus equívocos e derrocada, mas também das suas intensas vitórias e legado histórico inestimável, reafirmou sua perspectiva revolucionária à luz da ideia do Socialismo Renovado, compreendendo profundamente que o Capitalismo não oferece mais possibilidades de avanços para os povos.

    Nossas lutas neste século XXI

    Nesta trajetória ímpar na política brasileira, o Partido se distingue pelo enfrentamento da luta de classes combinando a busca por sua estruturação orgânica com as batalhas institucionais, lutas sociais e confronto de ideias com os setores reacionários aliados ao imperialismo. Isto nos conduziu ao apoio e participação nos governos do presidente Lula (2003-2010) e da presidente Dilma (2011-2016), com contribuições importantes para a implementação de políticas públicas de grande relevância e de alcance popular.

    Enfrentamos, em conjunto com as forças democráticas e progressistas, o golpe contra a presidente Dilma em 2016 e estabelecemos firme resistência, sem tréguas, ao avanço da extrema-direita e ao governo de Jair Bolsonaro. Foi um período de dura resistência, que impulsionou o Brasil para um salto ao passado, de triste lembrança, especialmente para a massa trabalhadora, e que não pode voltar sob pena de ainda mais retrocessos.

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    Lançamos, já nos primeiros meses do governo Bolsonaro, uma conclamação às forças políticas, movimentos sociais e ao povo, sobre a necessidade da construção de uma Frente Ampla em defesa da democracia e contra o neofascismo bolsonarista. Frente que se constituiu e saiu vitoriosa na dura eleição de 2022, que reconduziu o presidente Lula a mais um mandato. Voltamos a ter presença institucional no governo federal, com o PCdoB à frente do Ministério da Ciência e Tecnologia, pasta dirigida pela nossa camarada Luciana Santos, presidenta nacional licenciada da nossa legenda, que promove uma verdadeira revolução no setor, fortemente fragilizado nos anos anteriores.

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    Neste aniversário, reverenciamos também a memória das gerações anteriores de dirigentes comunistas, em todos os principais momentos da nossa história: Otávio Brandão, Luiz Carlos Prestes, João Amazonas e Renato Rabelo. Renato nos deixou há pouco mais de um mês e sua presença ainda se faz sentir muito forte, especialmente pela sua presidência nacional (2001-2015). Cada um desses camaradas, ladeados por um universo impressionante de outros (as) dirigentes e uma aguerrida militância, construíu um legado extraordinário. Reverenciamos ainda a memória do camarada Márcio Cabreira, que também nos deixou em fevereiro, quadro com origem no MR8 e que cumpriu um grande papel na integração do Partido Pátria Livre ao PCdoB a partir de 2019.

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    Aos 104 anos, o PCdoB segue com a sua coerência revolucionária e conclama os trabalhadores e trabalhadoras e os setores econômicos comprometidos com um país soberano e desenvolvido, a construir uma nova vitória das forças progressistas na eleição deste ano, reelegendo o presidente Lula e fortalecendo esse campo no Congresso Nacional, nos governos estaduais e assembleias legislativas. Conclama a sua militância a agarrar com firme dedicação o nosso projeto eleitoral nacional e em cada estado, para fortalecer ainda mais o Partido, impulsionando as nossas lutas, em especial a luta pelo Socialismo. Um grande viva ao PCdoB!


    Foto: Murilo Nascimento

    Nádia Campeão é presidenta interina do PCdoB Nacional. Engenheira agrônoma com especialização em gestão pública, foi Secretária de Esportes, Secretária de Educação e Vice-Prefeita de São Paulo (SP). É membro do Conselho Curador da FMG.

    Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial da Fundação Maurício Grabois.