Uma reunião virtual com a participação de cerca de 40 pesquisadores formalizou nesta quinta-feira (23) a participação dos oito Grupos de Pesquisa (GPs) da Fundação Maurício Grabois na atualização do Programa Socialista do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
“Essa contribuição deve ocorrer de forma organizada, mediada pelo Conselho Coordenador, – instituído ao final de março – e pelos próprios grupos de pesquisa, estabelecendo uma dinâmica de trabalho que considere a intensificação da luta política, teórica e ideológica nos contextos internacional e nacional”, anunciou André Tokarski, secretário-executivo do Conselho Coordenador dos GPs, integrado também por Walter Sorrentino, presidente da Grabois.
Tokarski enfatizou que a iniciativa central exige a atualização dos planos de trabalho dos grupos de pesquisa. Segundo ele, os coordenadores e o Conselho Coordenador devem atuar para que cada grupo produza artigos, participe de debates na TV Grabois e contribua com os dossiês da revista Princípios e com o Portal Grabois. O objetivo, acrescentou, é incidir tanto no calor dos acontecimentos internacionais quanto no contexto nacional preparatório para o debate eleitoral de 2026. “Espera-se que cada pesquisador tenha um papel ativo, transformando a produção teórica em um instrumento vivo de luta política e ideológica pelo socialismo no Brasil”, destacou.
O centro desse esforço é a contribuição com a Comissão constituída pelo Comitê Central para a atualização programática do PCdoB. Coordenada por Walter Sorrentino, essa Comissão é responsável por redigir a proposta e realizar seminários preparatórios para orientar os debates.
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Como eixo para as discussões estão colocadas questões que abrangem a inserção internacional do Brasil em prol de um desenvolvimento soberano diante de ameaças sistêmicas; a discussão sobre a existência de uma nova economia política para o desenvolvimento soberano; estudo das experiências socialistas; as questões ambiental, energética e climática, como o debate sobre a civilização ecológica, especialmente diante da crise promovida pelo imperialismo, que impacta a segurança e a soberania energética.
No âmbito das relações de Estado e poder, será discutida como superar os dilemas do desenvolvimento por meio de reformas e rupturas no ordenamento político nacional. A pauta inclui o papel central do Estado na indução do desenvolvimento e a combinação da agilidade tática com o caráter antissistema e revolucionário do Partido. Isso implica o processo de alianças estratégicas e táticas necessárias, com o PT e amplas forças progressistas e patrióticas.
Os debates também buscam associar o programa do PCdoB a um paradigma superior de planejamento e democracia popular em direção ao socialismo, utilizando as experiências exitosas provindas do amadurecimento da teoria socialista, como na China.
Coordenador do GP-7 sobre a luta contra a extrema-direita e o neofascismo, Cristiano Capovilla acentuou que os GPs devem retomar o programa vigente do PCdoB para atualizá-lo com uma análise concreta da situação, reafirmando a luta pelo socialismo e focando na questão nacional e da soberania, com especial atenção para as novas formas de atuação do fascismo no país:
“O PCdoB foi o primeiro partido político a classificar o governo Bolsonaro como neofascista, foi pioneiro ao registrar isso em seus documentos, e o desafio agora é atualizar constantemente o entendimento sobre suas novas formas de atuação.”
Capovilla afirmou que a revitalização do programa exige que os grupos de pesquisa transformem seu acúmulo em textos e artigos para publicação no Portal Grabois. Segundo ele, a tarefa é produzir subsídios para que a militância possa opinar e contribuir com o Partido na construção da atualização programática. “Todos os integrantes dos grupos de pesquisa são chamados a assumir este trabalho ativo de elaboração teórica e política”, concluiu.
Seminário
O pesquisador Diogo Santos apresentou o estágio de formulação do seminário O capitalismo no Brasil contemporâneo, com a proposta de promover um debate profundamente analítico. “O objetivo é colocar as ideias em debate, embasado em um levantamento empírico e bibliográfico dos temas que estão sendo levantados, adicionando elementos empíricos e teóricos para enriquecer esse caldeirão, que vai desaguar na atualização do programa”, explicou.
A proposta do seminário está sendo organizada a partir dos seguintes temas:
- Questão industrial e tecnológica: para analisar o setor industrial nacional e relacioná-lo com as disputas globais por tecnologias emergentes;
- Questão financeira e macroeconômica: propõe a discussão sobre o domínio da oligarquia financeira e os entraves que o mercado financeiro impõe ao desenvolvimento nacional;
- Questão agropecuária e comercial: objetiva identificar fragilidades e necessidades de fortalecimento das cadeias produtivas nacionais;
- Soberania digital e energética: busca conectar a discussão sobre o Brasil às tendências do capitalismo global e às disputas geopolíticas, como novos padrões produtivos, a disputa mundial por matrizes energéticas e como o Brasil se posiciona diante das oportunidades e ameaças desse cenário tecnológico e energético.
Censo de pesquisadores e acesso à financiamento
Além do debate programático, foram apresentadas na reunião duas outras iniciativas da Fundação Maurício Grabois relacionadas aos grupos de pesquisa: um censo nacional de pesquisadores e pesquisadoras, coordenado pelo diretor da Grabois, Renan Alencar, com o objetivo de ampliar o alcance das pesquisas desenvolvidas no âmbito da Fundação; e uma ferramenta digital para facilitar a captação de recursos para os pesquisadores que integram os GPs.
O Banco de Pesquisadores, desenvolvido em parceria com a empresa Biroo, coordenada por Demetrius Moura e Wagner Xavier, tem como objetivo facilitar a busca e integração da base de pesquisadores, com a possibilidade de atrair recursos, especialmente públicos, para financiar atividades como produção de artigos e eventos científicos.
Criada inicialmente com foco nas bolsas da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a ferramenta foi ampliada e contempla hoje as principais Fundações de Amparo estaduais para financiamento de pesquisas, assim como as agências nacionais: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).