É hora de voltar pra casa. Atravessei os currais, banhei-me no rio Volga. Duas horas depois duas braçadas no Araguaia. Caminhei pelo Alentejo e parei pra comer sardinha no meio da seara. Sentei-me frente a um palácio e tomei chichia com os Mapuches. Peguei um táxi em Montgomery e o motorista cantava um blues com as histórias da avenida Dexter. Daqui a pouco estaremos na Argélia. Quero subir nos telhados e olhar as vielas. No bolso da mochila tem um cantil de titânio com tequila pra beber lá nos paredões. Banana, bananeira, aqui é o Vale do Ribeira? Está de brincadeira? Isso aqui é um mundo inteiro. Levante a cabeça, ali é a Serra da Barriga. Não diga? Digo, Vietnã é do outro lado da cidade. Continue caminhando e não olhe pra trás. É hora do almoço rapaz, mas só temos pão com berinjela. Daqui do alto dá pra ver as duas linhas da favela. Preste atenção, a certa altura o trem pára, adiante os Pirineus, Bálcãs, Zeus, teu bisavô. Estava no poema da praça de touros, o amor da donzela Natércia. Isso aqui era a Pérsia, agora é o Irã, joguem as armas por cima das muradas! A distância faz esquecer alguns lugares, mas onde quer que estiveres ou estares, estarei contigo, não sou seu amigo, eu sou você, Agora repita, os vales de vinha são verdes. Camarada é quem caminha parelho, parelho é do lado. O céu estrelado que brilha na noite escura do conhecimento já não ilumina o caminho dos caminhantes solitários, é hora de voltar pra casa.
Balada de um soldado
É hora de voltar pra casa. Atravessei os currais, banhei-me no rio Volga. Duas horas depois duas braçadas no Araguaia. Caminhei pelo Alentejo e parei pra comer sardinha no meio da seara. Sentei-me frente a um palácio e tomei chichia com os Mapuches. Peguei um táxi em Montgomery e o motorista cantava um blues […]
POR: Redação
∙ ∙2 min de leitura
Notícias Relacionadas
-
Cultura, democracia e reconstrução do Rio de Janeiro: 5 propostas para o estado
O autor propõe políticas culturais baseadas no fomento público e na participação social como eixos de desenvolvimento para contrapor o esvaziamento promovido pelo bolsonarismo na gestão Cláudio Castro
-
Estados Unidos transformam Copa 2026 em vitrine de racismo e xenofobia
Enquanto a Fifa fala em unir povos, episódios envolvendo vistos, revistas e exclusões expõem um cenário de hostilidade e segregação. Os alvos: jogadores, árbitros e torcedores — principalmente os do Sul Global, latino-americanos e africanos
-
Ronaldo Bicalho: sem Estado, transição energética é ameaça ao Brasil
Seminário reuniu pesquisadores que alertaram para os riscos de uma transição energética conduzida pelo mercado, com energia mais cara, ampliação das desigualdades e nova dependência tecnológica para o Brasil
-
Copa do Mundo 2026: do jogo intuitivo e individual ao futebol altamente complexo
A seleção brasileira já não enfrenta apenas adversários talentosos, mas sistemas coletivos sofisticados, treinados em alta intensidade e sustentados por ciência, tecnologia e organização tática
-
Território brasileiro como projeto nacional de desenvolvimento
Trata-se de uma mudança de perspectiva. Em vez de enxergar o território como uma simples soma de propriedades individuais, devemos compreendê-lo como um sistema integrado formado por cidades, áreas agrícolas, florestas, rios, infraestrutura, ecossistemas e populações humanas
-
Inteligência artificial, rentismo e a nova partilha do mundo
Partindo da explosão das fortunas associadas à IA, o artigo discute como dados, plataformas digitais e infraestrutura tecnológica se converteram em novas formas de concentração de riqueza, dependência econômica e disputa pela soberania nacional