A Irlanda empossou nesta terça-feira (11) sua nova presidenta, a social-democrata Catherine Connolly. É a terceira mulher a ocupar o cargo no país. A eleição irlandesa, na qual Connolly conquistou aproximadamente 64% dos votos, no último dia 24 de outubro, passou quase despercebida fora da Europa, ofuscada pela vitória de Zohran Mamdani em Nova York e pela aprovação do 15º Plano Quinquenal da China.
A candidatura de Connolly contou com o apoio de toda a esquerda irlandesa — os social-democratas, o Partido Verde, o Sinn Féin, o Partido dos Trabalhadores e o Partido Comunista da Irlanda. Seu eleitorado, formado majoritariamente por jovens e mulheres, entusiasmou-se com seu discurso em favor da justiça e da igualdade.
Na política externa, Connolly é crítica da OTAN e de Israel e defensora declarada da Palestina. No âmbito interno, apoiou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a descriminalização do aborto.
Com mais de 15 mil voluntários, Connolly organizou uma campanha insurgente, tanto nas ruas quanto nas redes sociais.
Sua entrada na política se deu a partir da crítica à crise habitacional, que ela considera “a crise social definidora de nosso tempo”. Para Connolly, a classe trabalhadora deve ter acesso a moradia decente próxima de seus locais de trabalho.
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A situação política na Irlanda
Catherine Connolly sucede um presidente também de orientação progressista, Michael D. Higgins, do Partido Trabalhista da Irlanda (Labour Party). Connolly, porém, posiciona-se mais à esquerda, com uma base de apoio mais ampla entre partidos socialistas, comunistas e ecossocialistas.
A Irlanda é um país parlamentarista. Isso significa que a presidenta eleita não tem tantos poderes para intervir na política nacional, pois essa tarefa cabe ao primeiro-ministro.
Desde 2020, o país tem sido governado por uma coalizão de direita no parlamento: uma aliança do Fianna Fáil (Partido Republicano) com o Fine Gael (Partido Irlandês). Micheál Martin é um atual Taoiseach (o de facto Primeiro-Ministro da Irlanda) e lidera também o partido Fianna Fáil
Para o campo progressista, a expectativa é a de que a vitória esmagadora de Connolly à presidência sirva como acúmulo de forças para a próxima eleição parlamentar.
Em tempos de avanço da extrema direita no mundo, a notícia que vem da Irlanda — mas também de Nova York e da China — é alvissareira.
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Theófilo Rodrigues é professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da UCAM e coordenador do Grupo de Pesquisa da FMG sobre a Sociedade Brasileira.
Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial da FMG.