Amigas e amigos,
Na dimensão de amigo de Renato e de sua família próxima, meu registro é de tristeza, compartilhando parte da dor que vivem seus familiares.
Renato alimentou, com suas qualidades e estilo, três gerações de nós. Sou apenas uma delas e digo que conviver com ele sempre implicou aprendizado, respeito e admiração.
Eu gosto de pensar que as centenas de mensagens que chegaram desde que se difundiu a notícia da morte de Renato desenham um mural, cada qual põe lá uma pincelada, uma cor, uma tonalidade. O que vejo é um mural de uma vida grandiosa, vibrante, um mural multicolorido, que não está para baixo, mas pra a frente, que nos convoca a dar seguimento a tudo que ele fez.
Então creio ser possível imaginar que Renato se foi como um homem realizado. É feliz alguém que plantou tantas sementes, a maioria das quais germinou e segue na jornada que foi liderada por Renato por tantos anos.
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Renato Rabelo recebe placa simbólica de presidente de honra da Fundação Maurício Grabois das mãos de Walter Sorrentino, durante o lançamento da biografia Renato Rabelo – Vida, Ideias e Rumos, em São Paulo, no dia 7 de abril de 2025. Foto: Daniel Leon/FMG/Divulgação
Na condição de presidente da Fundação Maurício Grabois, em nome de todo o corpo diretivo, meu registro é de inclinar nossas bandeiras em homenagem à memória de Renato Rabelo, nosso presidente de honra. Ele tomou parte na mesma galeria dos inesquecíveis Maurício Grabois e João Amazonas.
Dentre as múltiplas facetas de Renato, quero destacar, primeiro, a sua imensa disciplina intelectual — com a qual realizou importantes elaborações político-teóricas.
Ele foi dirigente comunista numa época de profundas transformações e não se perdeu. Como marxista lúcido, buscou “o auto entendimento desta época sobre suas lutas e desejos”, como dizia Marx. Não lhe bastavam dogmas, mas a crítica renovada ao mundo real.
Avesso ao idealismo e leninista consequente, Renato promovia a análise concreta da realidade concreta, lembrando sempre que a vida não se regula pelos nossos ideais, mas o contrário.
Com essa saudável ortodoxia e espírito aberto, atuou num tempo muito difícil, numa situação estratégica defensiva da corrente comunista. Viveu entre os efeitos da crise do socialismo e a emergência da crise do neoliberalismo. Renato nunca considerou as situações de crise como de aflição, e sim como impulso para seguir adiante, extraindo novas lições, sabendo que possuíamos numerosas verdades e pontos de partida na bússola teórica que nos orienta.
Como presidente da Grabois a partir de 2015, Renato se dedicou aos temas de fronteira dessas reflexões: conduziu um programa de estudos sobre o capitalismo contemporâneo e sobre a renovação da teoria socialista. Desse encontro temático aplicado à realidade do Brasil nasceu o novo programa dos comunistas em 2012, liderado por ele.
Em segundo lugar, destaco seu talento tático e estratégico, formulador de direção política para defender a democracia — tanto na ditadura militar como na presente ofensiva da extrema-direita — e a soberania nacional para superar a condição de país dependente e semiperiférico do Brasil.
Esse foi o mantra de Renato: pensar o Brasil, os caminhos e rumos para a soberania, ligada ao progresso social e à democracia verdadeiramente popular. Enxergava nisso o rumo de nossa luta antisistema, pelo socialismo.
Daí a aliança estratégica com o presidente Lula, nascida em 1989 na FBP, para unir largas forças populares e progressistas. Fio comandante em todas as campanhas eleitorais desde então.
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Nós, coletivamente, daremos continuidade a essa jornada. Aproveitamos a inteligência coletiva que ele cultivou, seu exemplo de resiliência, seu firme senso de propósito revolucionário, de coragem teórica e política, e de abnegação.
Neste último período, foram duras as vicissitudes pessoais que, ao fim e ao cabo, o levaram de nós no último domingo (15).
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Mas nossa memória é mais forte que a morte. Renato será lembrado com essas qualidades, com respeito, carinho e admiração, sentimento extensivo à Conchita, sua companheira, Nina e André, seus filhos, o genro, nora e netos, sua irmã Mara e todos que o acompanharam.
É com essa memória que vamos transformar o luto em força de renovação de nosso compromisso com a causa que marcou toda sua vida: o Brasil, o Partido, o Socialismo.
Obrigado.
Walter Sorrentino é presidente da Fundação Maurício Grabois.
*Nota da edição: Este texto foi escrito e serviu como base para o discurso proferido por Walter Sorrentino na cerimônia de despedida e velório de Renato Rabelo, realizada na segunda-feira (16), no Palácio do Trabalhador, sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.