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    EUA

    Ataque EUA-Israel ao Irã integra projeto de reconfiguração do Oriente Médio

    Mundo hoje vive um momento de instabilidade jamais visto desde a Segunda Guerra Mundial, e essa instabilidade tem nome e sobrenome: a união entre o imperialismo estadunidense e o sionismo israelense

    POR: Elias Jabbour

    3 min de leitura

    Teerã, 28/02/2026 — Irã sob ataque coordenado pelos EUA e Israel. Fortes explosões foram ouvidas em diferentes áreas da capital na manhã desta sábado, enquanto colunas de fumaça se erguiam sobre a cidade, em meio às ofensivas militares recentes. Foto: RS/via Fotos Públicas.
    Teerã, 28/02/2026 — Irã sob ataque coordenado pelos EUA e Israel. Fortes explosões foram ouvidas em diferentes áreas da capital na manhã desta sábado, enquanto colunas de fumaça se erguiam sobre a cidade, em meio às ofensivas militares recentes. Foto: RS/via Fotos Públicas.

    Estou no aeroporto de Santos Dumont, a caminho de São Paulo, mas não poderia deixar de comentar o ataque coordenado, ocorrido neste sábado (28) entre Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irã. Essa ameaça já vinha ocorrendo há muito tempo, com preparativos de guerra em curso.

    Eu mesmo não acreditava na capacidade americana de lançar esse ataque, dadas as dificuldades de infraestrutura da Marinha norte-americana no local, mas ocorreu. Mas o mais importante disso é a cessão de Trump às constantes ameaças de Israel para atacar o Irã no sentido de destruir um claramente inexistente programa nuclear do Irã.

    O objetivo final desse processo todo, como já vem ficando muito claro nos últimos anos, é a construção de um Oriente Médio à imagem e semelhança de Israel.

    A destruição do Hezbollah no Líbano, a queda de Bashar al-Assad na Síria, as Primaveras Árabes e o genocídio em Gaza são todos elementos preparatórios para a constituição de um Oriente Médio que atende aos interesses de Israel e dos Estados Unidos.

    É claro para todo mundo que o imperialismo estadunidense e o sionismo israelense são os dois maiores inimigos da humanidade.

    + Trump, Netanyahu e o colapso autoritário: como a guerra se torna insustentável
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    O mundo hoje vive um momento de instabilidade jamais visto desde a Segunda Guerra Mundial, e essa instabilidade tem nome, tem sobrenome, que é a união entre o imperialismo estadunidense e o sionismo israelense. Isso é um fato que nós não podemos negar; eles são os maiores inimigos da paz mundial.

    Ontem foi a Venezuela. Cuba tem sido chantageada e estrangulada ao máximo. Hoje foi o Irã, com esse ataque “preventivo” entre esses dois países que sintetizam o que há de mais horroroso na face da Terra.

    Falar em imperialismo é cafona? A Venezuela e a lógica da dominação

    Presto minha solidariedade ao povo iraniano. Presto minha solidariedade anti-imperialista a todos os povos do mundo que vivem sob a tutela do imperialismo e as chantagens do sionismo. Estaremos aqui para nos colocar à frente dessa demanda da humanidade contra o imperialismo.

    As consequências desse ataque são as piores possíveis. O Irã vai retaliar e há muitas bases americanas naquela região.

    Esta análise foi publicada em vídeo no perfil de Elias Jabbour no Instagram. Veja:


    Elias Jabbour é professor associado da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, foi consultor-sênior do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos BRICS) e é presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos. É autor, pela Boitempo, com Alberto Gabriele de “China: o socialismo do século XXI”. Vencedor do Special Book Award of China 2022.

    *Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial da Fundaçãa Maurício Grabois.