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    Escola PCdoB

    Live do João retoma temporada com homenagem a Renato Rabelo

    Dirigentes e intelectuais relembram a trajetória, o pensamento programático e a influência de Renato na formulação estratégica do Partido e na formação política

    POR: Escola Nacional João Amazonas

    5 min de leitura

    Crédito: Grabois/Divulgação
    Crédito: Grabois/Divulgação

    A Live do João, programa da Escola Nacional João Amazonas na TV Grabois, retomou sua temporada de 2026 nesta terça-feira (17) com uma homenagem ao dirigente comunista Renato Rabelo. Participaram da transmissão a recém-empossada diretora da Escola, Ilka Bichara, o biógrafo Osvaldo Bertolino e o secretário nacional de Formação e Propaganda do PCdoB, Adalberto Monteiro. O encontro marcou o início das comemorações pelos 104 anos do Partido Comunista do Brasil.

    + Confira todos os programas da Live do João na playlist disponível na TV Grabois

    Renato, falecido no último 15 de fevereiro, foi lembrado por suas características de dirigente e por seus legados políticos para o PCdoB e para o Brasil. A ausência física faz a militância comunista passar em revista sua vida e sua obra, de forma a aprender suas lições e compreender seus legados. Adalberto Monteiro lembrou a alegoria do poeta Tiago de Melo e disse que “Renato Rabelo se despediu de nós para permanecer”.

    Osvaldo Bertolino apresentou a estrutura da biografia Renato Rabelo – Vida, Ideias e Rumos, publicada pela Fundação Maurício Grabois (2025). A obra divide a trajetória de Renato em “O desbravador”, “O ideólogo” e “O construtor”. Na primeira parte, Bertolino narra a vida de Renato desde que nasceu na Bahia, em 1942, até o fim da ditadura militar. Passa pelo início da militância na juventude católica, pela Ação Popular, pela integração ao PCdoB e pela luta contra a ditadura militar.

    Como ideólogo, Bertolino desvenda o Renato Rabelo que, principalmente a partir do 8º Congresso do PCdoB, se dedica, além da direção partidária, à preocupação com a visão programática do PCdoB. Já no anterior, o 7º Congresso (1988), o primeiro congresso que ocorreu de forma aberta e legal, Renato fez o informe sobre o programa. Foi o principal quadro na organização e desenvolvimento da 8ª Conferência Nacional do PCdoB (1995), que aprovou o Programa Socialista para o Brasil.

    Ilka Bichara lembrou que Renato sempre dedicou atenção especial à Formação, desde os anos 1980, e manteve uma relação próxima com a Escola João Amazonas, que considerava uma atividade estratégica para o PCdoB. Além de ministrar aulas inaugurais e atuar como professor, acompanhava de perto os rumos da Escola. Era também nesse espaço que apresentava ideias e teses ainda em elaboração, debatidas com formadores e estudantes, num ambiente que ajudava a amadurecer reflexões depois levadas ao conjunto do Partido. Desse processo nasceram pilares do Programa Socialista aprovado no 12º Congresso (2009), cuja elaboração teve participação direta de Renato, do preâmbulo à formulação programática.

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    Como construtor, Renato esteve à frente, sobretudo junto a Aldo Arantes e Haroldo Lima, da integração da Ação Popular ao PCdoB em 1973. Foi secretário de Organização a partir do 8º Congresso (1992), cargo que exerceu até o 10º Congresso (2001), quando João Amazonas o indicou para a presidência nacional do PCdoB — o que o plenário do congresso aprovou. Nessa tarefa permaneceu até a 10ª Conferência Nacional (2015), quando foi eleita Luciana Santos para presidir o PCdoB.

    Ao recordar mais de vinte anos de convivência com Renato Rabelo na direção partidária, Adalberto Monteiro destacou como um de seus principais legados a elaboração da concepção de uma nova luta pelo socialismo. A formulação é concebida a partir dos primeiros momentos da crise estrutural do capitalismo em 2007-08. Renato já colocava ali que o capital se apresentava com nova moldura e mais agressivo. Diante desse cenário, defendia que a luta também deveria ser adequada: por um lado, o esforço pelos êxitos dos países socialistas; e, por outro, a luta pelo desenvolvimento soberano dos países, sobretudo na periferia do capitalismo.

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    O secretário nacional de Formação e Propaganda também lembrou do legado tático de Renato Rabelo. A 9ª Conferência de 2003, idealizada por diversos dirigentes, mas sobretudo por Renato Rabelo, teve como centro a participação em governos em que não houvesse hegemonia dos comunistas. A elaboração alterou sobremaneira a tática do PCdoB. A ideia consistia em ser necessário participar do governo Lula e ajudá-lo a avançar em mais conquistas.

    Já desde a participação do PCdoB na campanha de 2002, que levou a chapa Lula-José Alencar ao poder central do país, tinha-se a compreensão de que a esquerda não ganharia aquela eleição sozinha e, se ganhasse, não conseguiria governar. Essa foi uma elaboração que teve como um dos autores o próprio Renato. Marcou-se, a partir daí, a centralidade da política de frente ampla que já caracterizava o PCdoB, mas agora de forma atualizada.

    A decisão não significou a adesão de forma acrítica do PCdoB ao governo. Havia, como em outros momentos, uma relação de pertencimento e colaboração que não impediu as críticas ao tripé macroeconômico, por exemplo, em muitos momentos, e as disputas nos movimentos sociais.

    Atentos ao programa, diversos familiares de Renato enviaram mensagens pelo chat, entre eles, Conchita, a companheira da vida toda; Nina e André, os filhos.

    A live contou com um poema de Cida Pedrosa em homenagem a Renato Rabelo, que muito comovidamente diz: “vastidão é o seu nome, coragem a sua sina”. O clima da live e as mensagens no chat unificaram os participantes em torno de um uníssono: “Renato Rabelo, presente!”

    Veja a Live do João em homenagem a Renato Rabelo: