Especiais - Dia Internacional das Mulheres

8 de março

Maria Aparecida Motta Publicado em 08.03.2011

Século XXI e ainda estamos em busca de acertarmos harmonicamente as relações humanas no conjunto da sociedade. Mais uma vez, estamos em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, data esta celebrada tendo sua origem em 1857, com a greve das tecelãs da Cotton, em Nova Yorque. Como resposta, o patrão não hesitou em provocar um incêndio, matando 129 operárias.

Bem, mas voltemos aos dias atuais. Houve, sem dúvida, mudanças de comportamento nas relações domésticas e de trabalho. No entanto, a voz daquelas operárias ainda ecoa em nosso meio clamando por um tratamento justo e igualitário, quando a questão de músculos e força não está em jogo.

Considero-me adepta de princípios feministas desde jovem, porém coloco-me sempre como parte da espécie humana nas questões de discernimento em relação ao que se pretende formular ou discutir. Ao longo da civilização, a luta pela afirmação do “sexo frágil” manifestou-se nos vários segmentos da sociedade, com mais ou menos intensidade. No entanto, vemos e ouvimos notícias diárias de espancamentos, morte, agressões verbais, eliminação de projetos e empregos contra as mulheres. Quando a cabeça de uma mulher se põe a pensar, a dizer ”não”, a reivindicar direitos, estabelece-se o alerta do outro lado do mundo feminino.

No Brasil (e em outros países) vivemos numa sociedade arraigadamente machista. Há evidentemente muitos homens cuja lucidez extrapola o comum e colocam-se em qualquer situação, lado a lado, na luta e na defesa da igualdade de gêneros. Entretanto, o machismo não é privilégio do sexo masculino. É tão culturalmente enraizado que não raras vezes as próprias mulheres manifestam atitudes machistas ou são coniventes, até por medo, com o teor das mesmas.

A minha reflexão de hoje vai além das flores distribuídas ou presenteadas às mulheres. É necessário transpor barreiras, exigindo o respeito à causa feminina. Que sejam punidas as mortes passionais, sejam respeitadas as suas escolhas amorosas e crenças religiosas, as suas opções ideológicas, os cargos que ocupam, o seu direito de ser ou não ser mãe, as suas angústias, as suas aspirações.

Neste 8 de março compartilho com as minhas co-irmãs os anseios por uma existência digna e justa em nossa sociedade, em nosso país. Não poderemos reconhecer a nossa alma feminina enquanto mulheres forem discriminadas, violentadas, mutiladas, executadas, exploradas, em nome de sua suposta inferioridade (pois há muito foi demonstrado que isto é falso) e em nome da intolerância. A relação entre gêneros não pode ser de confronto, mas de complemento nas mais diferentes formas de ocupar espaços ou de relacionamentos. Ao colocar a mulher no centro da reflexão de hoje, finalizo com o apelo ao respeito pleno, pois de seu corpo germinarão os filhos, de sua alma germinarão os sonhos...

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Filósofa e poetisa. Gaúcha de São Sepé, residente em Campinas/SP. Autora de “Aurora da Vida” e “Rosas do Tempo”, pela Editora Autores Associados.