Agora, em razão das conquistas dos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está em jogo uma oportunidade histórica muito preciosa. Se o ciclo virtuoso aberto pela vitória do povo em 2002 tiver prosseguimento, o Brasil poderá se tornar, em breve, uma Nação próspera e forte na qual o povo, seu grande construtor, tenha direito a uma vida cada vez melhor. Uma Nação integrada de modo solidário com os povos vizinhos e respeitada no mundo, na defesa da paz e do direito das nações à soberania e ao desenvolvimento.

Acontece que a candidatura de José Serra, da oposição neoliberal – respaldada pelo conservadorismo interno, pelo monopólio midiático, pelos grandes grupos financeiros e econômicos do país e do exterior –, tenta a qualquer preço reaver o poder perdido em 2002. Não hesita em recorrer ao “vale tudo” e à guerra suja tão ao gosto da velha direita golpista.

Caso vença Serra, embora diga o contrário, ele seria o demolidor do legado do presidente Lula. Em vez da política externa altiva e soberana em vigor, voltaria a prevalecer o alinhamento, a subserviência aos Estados Unidos da América. O processo de ampliação e construção da democracia seria sustado pelo autoritarismo demo-tucano que criminaliza a luta do povo e se guia pela restrição da liberdade. O Estado nacional, a exemplo do que fez FHC, seria novamente golpeado. Empresas estatais, como Petrobras e Banco do Brasil, estariam novamente sob risco. A nova etapa de desenvolvimento com distribuição de renda, desencadeada pelo governo Lula, seria abortada pela concepção neoliberal do candidato e de sua coligação.

A vitória da candidata Dilma Rousseff, do campo democrático, patriótico e popular, é a garantia da continuidade da obra do presidente Lula. Com base no alicerce edificado nos últimos anos, nas qualidades da candidata, na força e na orientação progressista da coligação que a sustenta, o país poderá acelerar

o passo e ingressar num ciclo político ainda mais promissor. Desenvolvimento arrojado com distribuição de renda que promova uma elevação sem precedentes da qualidade de vida do povo brasileiro.

A guerra política que é a presente sucessão presidencial, se retratada por uma caricatura – dessas que revelam a essência de uma determinada realidade –, está assim polarizada. De um lado, “a continuadora”; de outro, o “demolidor” do legado do presidente Lula.

São equivocadas, portanto, as análises que descrevem como uma linha contínua o período que vai de FHC a Lula. Do mesmo modo a miopia, não importa por que distúrbio, que não enxerga o confronto desses dois campos políticos antagônicos.

Depois de 2002, 2006, as forças políticas avançadas são chamadas a realizar uma campanha vibrante, corajosa, criativa, que garanta uma terceira vitória do povo e barre o retorno daqueles que legaram ao país uma herança maldita. É importante a consciência e atitude de que será uma guerra política dura, difícil. Mas, que é possível vencer com base na força do povo e na aliança ampla e democrática constituída. A esquerda é chamada a desempenhar um papel de destaque.

Finalmente, é auspiciosa a oportunidade de lutarmos para que Dilma seja a primeira mulher presidente do Brasil. Como ela mesma diz: se vitoriosa, entre outras singularidades, seu governo terá “o traço, o espírito e a força feminina”. Para um país onde as mulheres tiveram um papel de verdadeiras heroínas na sua construção; para um país no qual as mulheres hoje atuam com destaque no mundo do trabalho, da política, das ciências, da cultura e do esporte; a Nação sabe muito bem o valor e a capacidade de realização que este fato significa.

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Presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios