1) Quais os objetivos centrais da Escola Nacional com o lançamento do Ensino à Distância, considerando o fato de estarmos falando sobre formação para membros de um partido político?


Os partidos políticos, como também diversas entidades da sociedade civil, têm recorrido às tecnologias de formação à distância, principalmente com o objetivo de difundir suas ideias e propostas a um número maior de pessoas, no menor tempo e com menores custos. Para nós, do PCdoB, este não se coloca entre os objetivos centrais; é apenas uma opção, por ser o Brasil um país de dimensões continentais, estarmos organizados em todas as unidades da federação, termos presença na maioria dos grandes municípios, contarmos com milhares de filiados (as), militantes e quadros, além de inúmeros simpatizantes. E com perspectiva de crescer mais e mais.

No entanto, se esta modalidade ajuda a responder às demandas da nossa propaganda, requer especial atenção ao se tratar da formação. Mais ainda, como recurso para a sistematização da formação teórica, o papel específico da escola. Esta vem se (re) constituindo desde 2003, com base na concepção unitária de Escola Nacional do PCdoB, com seções estaduais que aos poucos se organizam para formar seu corpo docente, instituir os núcleos de ensino e pesquisa e participar da realização do currículo básico, desenvolvendo os cursos sob sua responsabilidade e selecionando quadros para os cursos regionais e nacionais.

Preferencialmente presenciais, as atividades da escola cumprem não somente o papel de permitir o acesso individual a conhecimentos, mas também o de mediação, por quadros mais experientes, que ajudam a organizar as noções, conceitos, teorias e estimulam a reflexão necessária à apropriação crítica das bases teóricas da nossa política. Além do convívio camarada, o intercâmbio de experiências, o debate de dúvidas e interpretações, com base em conhecimentos acumulados nas suas diferentes trajetórias e frentes de atuação.

Os encontros presenciais são, portanto, imprescindíveis. Porém, não são suficientes, principalmente pela dificuldade de se garantir sua regularidade, em períodos não muito largos. Por outro lado, nada substitui o estudo individual e a reflexão compartilhada. É aí que entra a contribuição da modalidade de formação à distância: como orientação do estudo e oportunidades de discussão, em preparação para os cursos presenciais e na sua complementação.

2) Inicialmente, qual é a expectativa da Secretaria Nacional de Formação e da direção da Escola Nacional em relação ao público que realizará esse primeiro curso virtual? Quem terá acesso para realizá-lo?
Concebemos nossa sistemática de formação na modalidade à distância segundo a estrutura curricular da escola, nas suas áreas de estudo, com os respectivos referenciais temáticos, que são tratados nos três níveis, em crescente grau de complexidade (noções, conceitos e aprofundamento de conceitos). Assim, temos, inicialmente, o CPS (Curso do Programa Socialista), seguido do CIM (Curso de Iniciação ao Marxismo-Leninismo), que constituem o Nível I. O CPS, que substitui o CBV (Curso Básico em Vídeo), torna-se a porta de entrada da escola. Ele foi lançado em novembro de 2011, com a diretiva de envolver a militância que participou das Conferências Estaduais daquele ano, priorizando-se as direções eleitas para os organismos de base e intermediários, lideranças de massas, parlamentares e ocupantes de cargos em governos, pré candidatos (as) às eleições municipais de 2012 e respectivas equipes de coordenação, assim como apoiadores (as), pertencentes ou não ao Partido.

Várias turmas presenciais já foram realizadas em todos os estados, envolvendo quadros que atuam como formadores (as) na multiplicação do curso, com a meta de atingir 40 mil participantes, até maio deste ano. A participação no CPS presencial permite o acesso ao ambiente virtual, para a complementação do estudo, à distância. Nessa nova modalidade, estarão disponíveis orientações para a (re) leitura do Programa, passo a passo, com possibilidade de retomada de trechos do vídeo, realização de exercícios e participação em fóruns de discussão. Ao responder às questões avaliativas, cada participante receberá o certificado, gerado pelo sistema. E se habilitará a dar continuidade ao estudo, por meio do segundo curso do Nível I (o CIM). Importante é ressaltar que, nesta fase inicial, só terá acesso ao CIM virtual quem tiver participado do CPS nas modalidades presencial e à distância. Isto, para valorizar o esforço de massificação do trabalho com o vídeo.

Posteriormente, o acesso será liberado a quem participou de atividades de apresentação e discussão do Programa antes do lançamento do CPS, a quem fez o CBV – enfim, a quem, segundo avaliação da respectiva direção, já pode participar do segundo curso do Nível I. Quem já fez este curso presencialmente poderá complementá-lo no ambiente virtual sem precisar voltar ao presencial, mas terá de realizar as questões avaliativas para se habilitar ao prosseguimento do estudo, no Nível II.
 
3) Quais são os demais projetos da Escola levando em consideração a utilização das ferramentas do ensino à distância?


Já estamos organizando o CIM virtual. Ele constará de web aulas, estudo dirigido de textos e fórum de discussão sobre os temas de cada área do currículo (Filosofia; Estado/Classes; Economia Política e Desenvolvimento; Socialismo; Partido). Neste caso, a modalidade à distância se dará em preparação ao curso presencial, para o qual já contamos com material de apoio a professores (as) e apostila para alunos (as). 

A preparação no ambiente virtual se reportará as esses recursos didáticos já disponíveis e a textos da bibliografia indicada. No fórum de discussão cada participante poderá apresentar dúvidas e observações, que serão encaminhadas às equipes docentes das seções estaduais, para o planejamento das aulas. Volta-se, depois, ao ambiente virtual, para a avaliação e geração do certificado, que permitirá a continuidade do estudo. Outros projetos, ainda sendo pensados, são os de Níveis II e III. E também um programa de formação continuada de professores (as), sobre questões teóricas e problemas centrais dos temas do currículo básico, incluindo-se questões didáticas.

Para nos auxiliar na elaboração e execução desses projetos, contamos com a Solo Educação, empresa de consultoria e assessoria em tecnologias educacionais, cuja equipe técnico-pedagógica – coordenada pela Professora Doutora Sonia Alegretti, que também é docente e pesquisadora dessa área na PUC-SP – tem realizado importantes trabalhos para instituições de educação básica e superior e para outras organizações, inclusive sindicais.