O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista nesta terça-feira (12) ao Correio Braziliense, que combater a fome será “a prioridade” de seu governo, caso ele vença as eleições de outubro. Com mais de 60 milhões de brasileiros vivendo em insegurança alimentar grave, o Brasil voltou, neste ano, ao Mapa da Fome da ONU – relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Lula repetiu a promessa de “não descansar” enquanto a fome for um flagelo no País. “Isso é um compromisso de vida. Conseguimos, com toda a sociedade, criar políticas públicas e promover inclusão social que tirou o Brasil do Mapa da Fome da ONU, e agora estamos de volta”, lamentou o ex-presidente.

Ele criticou o abandono de programas como o Bolsa Família e o Fome Zero, que ajudaram a combater a pobreza e a insegurança alimentar, mas foram esvaziados e até extintos no governo Jair Bolsonaro. “Essas políticas públicas foram desmontadas, e a fome voltou. Não tem por que o Brasil ter milhões de pessoas, milhões de famílias e crianças passando fome”, declarou Lula. “Nós vamos resolver isso – é a maior prioridade.”

De acordo com o ex-presidente, mesmo sem o nefasto “teto de gasto”, suas gestões à frente da Presidência da República tiveram “responsabilidade fiscal”. O foco do problema, segundo ele, é outro. “Eu governei oito anos com responsabilidade fiscal, social, econômica, com todo o tipo de responsabilidade possível, sem precisar de teto nenhum. Em nenhum país existe esse teto – nem no Brasil, onde a toda hora se cria uma exceção ao teto”, declarou. “O maior problema de teto no Brasil são as milhares de famílias que viraram sem teto nas grandes cidades, morando nas ruas. Esse é o teto que me preocupa.”

Lula também defendeu a criação de um grande pacto suprapartidário para viabilizar projetos de reconstrução nacional. “Quero me reunir em janeiro, talvez até em dezembro, com os 27 governadores eleitos, para, juntos, resolvermos os problemas do País. E me reunir com os prefeitos, não importa se gostam ou não de mim”, disse na entrevista. “Sou uma pessoa que respeita a democracia, que gosta de ouvir a opinião dos outros, e respeito a divergência. O Brasil precisa voltar a ter diálogo, ter paz e ter um presidente que trabalhe para resolver os problemas. É a isso que quero dedicar os próximos quatro anos da minha vida.”

(por André Cintra)