O simpósio “Desafios brasileiros em direção ao novo ciclo de desenvolvimento soberano”, organizado pela Fundação Maurício Grabois, debateu, nesta terça-feira (25/03), a América Latina e os impasses do ciclo progressista e da integração regional. O tema foi abordado na nona mesa do evento, que contou com a participação dos professores Pedro Barros, Ricardo Abreu e Monica Hirst.
Essa mesa teve por objetivo analisar os avanços, retrocessos e impasses do ciclo progressista na América Latina nas últimas décadas, com foco nos desafios da integração regional e no impacto da ascensão das forças de direita e do neofascismo. O debate também abordou o papel do Brasil no fortalecimento do regionalismo e na construção de um projeto de desenvolvimento soberano.
Veja o debate:
O Conceito de Ciclo Progressista
Pedro Silva Barros questionou a validade do termo “ciclo” para descrever a trajetória recente dos governos de esquerda na América Latina, dado o histórico de baixa integração regional. Já Ricardo Alemão Abreu propôs a divisão em três fases: ascensão e estabilidade (1998-2014), derrotas (2015-2018) e retomada parcial a partir de 2019. Mônica Hirst, por sua vez, sugeriu cautela ao associar automaticamente governos progressistas à integração regional efetiva, apontando que o processo tem sido marcado por lampejos, e não por continuidade histórica.
Confira a programação e veja os vídeos dos debates já realizados
Avanços e Limites da Integração Regional
Pedro Barros destacou momentos importantes, como a reunião de presidentes em Brasília (2000) e a cúpula da UNASUL (2008), mas alertou para a persistente baixa interdependência econômica e o distanciamento entre elites regionais. Mônica Hirst criticou a reprimarização das economias e a quebra do eixo Brasil-Argentina como fatores que limitaram a consolidação da integração. Ricardo Abreu avaliou que, apesar dos obstáculos, o que foi construído nos anos 2000 representa um início importante, cujas bases ainda podem ser retomadas.
Ascensão da Direita e do Neofascismo
Ricardo Abreu apontou o crescimento da extrema direita na região como ameaça à integração e à democracia, citando os casos de Javier Milei e Nayib Bukele. Amanda Harumy, como moderadora, provocou o debate sobre se o atual momento seria o fim do ciclo progressista ou apenas uma pausa estratégica, destacando os efeitos dos golpes de Estado e a necessidade de o Brasil retomar a liderança regional.
O Papel do Brasil na Integração
Pedro Barros defendeu que o Brasil priorize a América do Sul e os BRICS em sua política externa, criticando a atenção dada a fóruns como o G20. Ricardo Abreu ressaltou que apenas os setores progressistas consideram a integração como estratégia de desenvolvimento autônomo e criticou o distanciamento do atual governo em relação à Venezuela. Mônica Hirst lembrou que, apesar do compromisso constitucional com a integração, muitas vezes faltou vontade política e recursos para torná-la realidade.
O debate teve coordenação de Rosanita Campos e moderação de Amanda Harumy.
Em breve a íntegra de todos os debates estará disponível na TV Grabois.