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    América Latina

    Estados Unidos atacam a Venezuela; PCdoB repudia e cobra reação regional

    Partido classifica a ação como terrorismo internacional e convoca governos e movimentos a reagirem à escalada da agressão. Texto reúne ainda análises e conteúdos audiovisuais sobre a ofensiva militar e seus impactos

    POR: Redação

    8 min de leitura

    Ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, em Caracas, 3/1/2026. Crédito: RS / via Fotos Públicas
    Ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, em Caracas, 3/1/2026. Crédito: RS / via Fotos Públicas

    O ataque militar dos Estados Unidos ao território da Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, ocorrido na madrugada deste sábado (3), provocou reações imediatas no Brasil. A ofensiva, atribuída diretamente ao governo de Donald Trump, incluiu bombardeios em locais civis e militares em Caracas, capital do país, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, segundo comunicados oficiais venezuelanos.

    Em nota, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) condenou a ação, classificando-a como ataque criminoso e ato de terrorismo internacional, com impactos diretos sobre toda a região latino-americana.

    Nota do PCdoB na íntegra

    Repúdio ao criminoso ataque contra Venezuela exige ampla mobilização

    O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) condena da forma mais veementemente o ataque criminoso dos EUA e o anunciado sequestro do presidente Nicolás Maduro, ocorridos na madrugada deste sábado (3).

    Tais atos configuram terrorismo internacional e atingem toda a América Latina.

    A defesa da Venezuela assume, assim, caráter urgente.

    Os Governos soberanos da região, movimentos sociais e partidos políticos devem se unir visando a promoção de grandes mobilizações de denúncia, impedindo a escalada da agressão e exigindo o pleno respeito à independência da Venezuela e ao legítimo presidente Nicolás Maduro.

    Comissão Executiva Nacional
    Brasília, 03 de janeiro de 2026

    + PCdoB: Defender a Venezuela é defender a soberania dos povos e nações

    Governo da Venezuela denuncia agressão e convoca defesa nacional

    Em comunicado oficial divulgado neste sábado, o governo da República Bolivariana da Venezuela denunciou o ataque como uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos princípios de soberania, igualdade entre Estados e proibição do uso da força.

    O texto acusa os Estados Unidos de promoverem uma agressão militar contra áreas civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, com o objetivo de se apoderar de recursos estratégicos do país, como petróleo e minerais.

    O presidente Nicolás Maduro decretou Estado de Conmoção Exterior, ordenou o acionamento dos planos de defesa nacional e determinou o imediato deslocamento dos comandos de defesa integral em todo o território venezuelano. O governo também anunciou que recorrerá ao Conselho de Segurança da ONU, à CELAC e ao Movimento dos Países Não Alinhados.

    Em áudio divulgado pela emissora estatal VTV, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que as instruções do presidente Nicolás Maduro foram imediatamente acionadas em todo o país:

    “O chamado é muito claro: as instruções do presidente Maduro foram dadas e estão imediatamente acionadas. Isso é do conhecimento do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, das nossas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, do povo venezuelano organizado em milícias e dos nossos órgãos de segurança cidadã.”

    Segundo ela, as forças policiais, militares e de defesa atuam de forma coordenada para proteger o país:

    “Em perfeita ordem de funcionamento — polícia, exército e forças armadas — partamos para defender nossa pátria. Ninguém violará o legado histórico do nosso libertador, Simón Bolívar.”

    Fundação Maurício Grabois condena agressão dos EUA e manifesta solidariedade à Venezuela

    Em nota pública divulgada neste sábado (3), a Fundação Maurício Grabois condenou a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, manifestou solidariedade ao povo venezuelano e alertou para os riscos da escalada imperialista na América Latina.

    A Fundação Maurício Grabois manifesta sua solidariedade ao povo venezuelano, às forças bolivarianas e ao presidente Nicolás Maduro, diante da agressão armada imperial-colonial promovida pelos Estados Unidos, sob a bandeira da chamada Doutrina Trump.

    Trata-se de mais uma evidência de que a maré neofascista precisa ser enfrentada por todos aqueles que defendem a democracia, a soberania nacional e o respeito ao direito internacional.

    Os povos latino-americanos precisam se unir em uma só voz, juntamente com as forças progressistas do mundo, para construir uma ampla frente anti-imperialista em defesa da paz e do desenvolvimento.

    O centro da questão democrática está na defesa intransigente da soberania nacional.

    A agressão à Venezuela constitui um atentado terrorista de Estado contra o direito internacional e já se inscreve como uma marca trágica da história política do século XXI.

    Walter Sorrentino, presidente da Fundação Maurício Grabois.
    São Paulo, 3 de janeiro de 2026.

    Ana Prestes: ataque inédito e brutal à América Latina

    A secretária de Relações Internacionais do PCdoB, Ana Prestes, afirmou que a América Latina “amanheceu atacada brutalmente” pelo governo dos Estados Unidos e declarou:

    “É preciso haver mobilização, é preciso haver concentração, porque esse é um ataque inédito, brutal, fortíssimo por parte dos Estados Unidos à nossa América Latina.”

    Elias Jabbour: ‘selvageria imperialista’ e impactos regionais

    O geógrafo e professor da Uerj Elias Jabbour classificou a ação como um ato de “selvageria imperialista”, alertando para os efeitos diretos sobre o Brasil e a região:

    “A agenda da centralidade da questão nacional se impõe, assim como o exercício efetivo de nossa soberania.”

    Lula condena ataque e cobra resposta da ONU

    Em manifestação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os bombardeios e a captura do presidente venezuelano, classificando a ação como uma afronta gravíssima ao direito internacional e à soberania da Venezuela.

    Lula alertou para o risco de escalada da violência e cobrou uma resposta firme da Organização das Nações Unidas, reafirmando o compromisso do Brasil com o diálogo e a preservação da América Latina como zona de paz.

    “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.”

    Narrativa do ‘narcoterrorismo’ e o pretexto para a intervenção

    O governo dos Estados Unidos justificou a operação com acusações de “narcoterrorismo” contra Nicolás Maduro, anunciadas pelo Departamento de Justiça norte-americano, sem apresentação de mandato internacional ou respaldo de organismos multilaterais.

    Especialistas alertam que essa narrativa retoma estratégias históricas de intervenção na região. Em artigo publicado no Portal Grabois em janeiro de 2025, o cientista político Thiago Rodrigues já advertia que a chamada “guerra ao narcotráfico” tem sido usada como pretexto para a militarização da América Latina e o avanço do intervencionismo estadunidense.

    + Venezuela sob ataque: Trump intensifica pressão e ameaça soberania sul-americana

    TV Grabois analisa riscos de escalada militar

    No programa Conexão Sul Global, exibido em 18 de dezembro de 2025, Ana Prestes analisou a escalada militar dos EUA contra a Venezuela, os impactos no mercado internacional de petróleo, a retomada da Doutrina Monroe e os riscos reais de um conflito armado na região.

    Assista ao vídeo completo abaixo

    Chamado à solidariedade internacional

    O governo venezuelano convocou os povos e governos da América Latina, do Caribe e do mundo a se mobilizarem em solidariedade ativa contra a agressão, reafirmando o direito à legítima defesa, conforme o artigo 51 da Carta da ONU.

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