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    América Latina

    Bad Bunny desafia Trump com afirmação da cultura da América Latina e Caribe

    Artista de Porto Rico inseriu o debate sobre a América Latina e o Caribe dentro do país que é o maior algoz dos nossos povos

    POR: Ana Prestes

    4 min de leitura

    Benito Antonio, conhecido pelo nome artístico Bad Bunny. Foto: Spotify / Divulgação
    Benito Antonio, conhecido pelo nome artístico Bad Bunny. Foto: Spotify / Divulgação

    O artista Bad Bunny se apresentou no domingo (8) no Super Bowl, principal evento esportivo dos Estados Unidos e alcançou 128,2 milhões de espectadores, gerando uma repercussão imensa por ter colocado a América Latina e o Caribe no centro de um dos palcos de maior visibilidade e audiência do mundo.

    Benito, o porto-riquenho conhecido como Bad Bunnyé hoje um artista internacionalmente aclamado, figurando como um dos campeões de audiência nas principais plataformas de música globais. Sua apresentação ocorreu durante o intervalo do Super Bowl, que é muito mais do que uma final esportiva; é um evento midiático colossal que serve como vitrine do poder econômico e cultural dos Estados Unidos.

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    O que considero fundamental destacar é que o porto-riquenho cantou em espanhol durante praticamente todo o espetáculo. Ao fazer isso, ele inseriu o debate sobre a América Latina e o Caribe dentro do território do país que hoje é o maior algoz dos nossos povos. É preciso lembrar que Porto Rico é um território sob domínio estadunidense. Não possui soberania plena e funciona como uma espécie de colônia moderna. 

    Embora seus habitantes possuam passaporte dos Estados Unidos e possam transitar livremente, eles não votam para presidente e têm apenas um representante no Parlamento, que nem sequer tem direito a voto. Internamente, elegeram um governador, mas seu presidente é o dos Estados Unidos.

    Durante o show, Bad Bunny não apresentou a América Latina de forma folclórica ou caricatural. Ele a posicionou como uma força cultural central do nosso hemisfério, utilizando o espanhol como a língua majoritária do continente. Reconheço, claro, a importância do português, do francês e das inúmeras línguas indígenas que compõem nossa riqueza, mas o uso do espanhol naquele palco foi uma afirmação de união e força.

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    A estética do espetáculo, que podemos chamar de maximalismo latino-americano e caribenho, foi contundente. Não houve tentativa de agradar ao gosto local estadunidense; foi uma afirmação de valorização do nosso povo e do nosso trabalho. É relevante pontuar que hoje entre 20% e 25% da população dos Estados Unidos tem origem latina ou caribenha. São milhões de trabalhadores essenciais na construção civil, agricultura, transporte, serviços urbanos, restaurantes, hotéis, saúde e no cuidado com crianças e idosos.

    Essa força de trabalho ficou ainda mais evidente durante a pandemia, pois foram esses imigrantes que mantiveram o país funcionando enquanto construíam casas, colhiam alimentos e dirigiam caminhões. Sem o trabalho latino-americano, a economia estadunidense simplesmente não operaria. Por isso, o show incomodou tanto o status quo e figuras como Donald Trump e Marco Rubio: ele deu visibilidade ao valor do trabalhador que é sistematicamente perseguido pelo serviço de imigração (ICE).

    Eu vejo nessa apresentação um protesto contra as políticas antimigratórias fascistas que realizam prisões em locais de trabalho, separam famílias e mantêm crianças em condições.

    Assita a íntegra do Conexão Sul Global com Ana Prestes

    Ana Prestes é pesquisadora do Observatório Internacional, Grupo de Pesquisa da Fundação Maurício Grabois, e Secretária de Relações Internacionais do PCdoB. Comanda o programa Conexão Sul Global, exibido pela TV Grabois.

    *Análise publicada originalmente no programa Conexão Sul Global (TV Grabois), em 12/02/2026. O texto é uma adaptação feita pela Redação com suporte de IA, a partir do conteúdo do vídeo.

    **Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial da FMG.

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