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    América Latina

    Carmona: Ataques ao Irã refletem nova estratégia global dos EUA

    Professor de Geopolítica Ronaldo Carmona defende que esses ataques, assim como o sequestro do presidente Nicolas Maduro, decorrem de um redesenho da estratégia de segurança nacional anunciada em dezembro por Trump

    POR: Leandro Melito

    4 min de leitura

    Encontro entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e o presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: White House
    Encontro entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e o presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: White House

    Os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, iniciados no dia 28 de fevereiro, se concentram agora no Estreito de Ormuz, passagem de cerca de 30% do petróleo comercializado muncialmente. Para o professor de pós graduação Ronaldo Carmona, PhD em Geopolítica, esses ataques, assim como o sequestro do presidente Nicolas Maduro, decorrem de uma redefinição da estratégia de segurança nacional anunciada em dezembro pelo presidente Donald Trump.

    “Esse documento proclama os objetivos dos Estados Unidos no cenário geopolítico mundial, propondo concentrar sua hegemonia sobre a América Latina — o que chamam de hemisfério americano — e prosseguir com ações nas cadeias de ilhas do Pacífico e do Mar da China. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos pretendem diminuir sua presença militar na Europa e no Oriente Médio. Devemos ler a atual conjuntura de intensa agressividade à luz desses preceitos, pois os documentos de estratégia de segurança e defesa nacional indicam a intenção de resolver conflitos mundiais pela força”, analisa Carmona.

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    Para Carmona, o primeiro objetivo dos Estados Unidos seria hegemonizar a América Latina e o Caribe, sendo o ataque contra a Venezuela a primeira ação com o objetivo de implementar o “Corolário Trump da Nova Doutrina Monroe”. Embora a Doutrina Monroe original do século XIX tenha surgido em um contexto de resistência ao neocolonialismo europeu,  ele destaca que a a retórica atual é utilizada para promover uma atividade neocolonialista sobre a região a partir dos Estados Unidos.

    “Fomos parte dessa relação anticolonialista por ocasião da independência do Brasil, quando o nosso patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) propôs uma aliança contra o colonialismo. Atualmente, utiliza-se o exemplo da Doutrina Monroe para argumentar que as Américas devem estar unidas contra potências extra-hemisféricas, especialmente China e Rússia. O objetivo real é construir uma narrativa de domínio americano, impedindo que a América Latina mantenha relações autônomas com todos os polos de poder mundial”, aponta.

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    O segundo objetivo estratégico dos EUA é manter a pressão sobre a China, especialmente no Indo-Pacífico, com um deslocamento importante de meios militares para a área litorânea chinesa. Os Estados Unidos buscam interferir nas extremidades da Eurásia, instando a Europa a se responsabilizar por sua própria segurança a partir da ideia de que a Rússia é o inimigo principal.

    Participação de Israel

    No Oriente Médio, a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã é acompanhada Israel. Antes do início dos bombardeios, Ronaldo Carmona aponta que delegações dos EUA, Irã e países europeus se reuniram na embaixada do Omã em Genebra para buscar um acordo em que  o Irã aceitaria um programa nuclear para fins pacíficos e energéticos, enquanto os Estados Unidos e os países europeus levantariam as sanções econômicas que impõe um custo  forte à economia iraniana. “Essas sanções estão na raiz da crise econômica que possibilita a ação de agentes externos para a desestabilização do Irã”, explica Carmona.

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    É nesse contexto que ele localiza a agressão de Estados Unidos e Israel ao Irã. “Com o recuo militar americano na região, Israel passaria a ser o responsável pela reorganização do Oriente Médio a favor. O objetivo seria conformar aquilo que setores extremistas do gabinete de Netanyahu chamam de uma ‘Grande Israel’, expandindo territórios em Gaza e na Cisjordânia para impedir de vez a resolução estrutural da crise do Oriente Médio que é a criação de um Estado da Palestina livre, independente e viável economicamente.”

    Para Carmona, a nova orientação de segurança nacional dos Estados Unidos preconiza uma redefinição do papel e da presença militar do país no mundo em busca de operar na contratendência à multipolarização mundial e retomar uma hegemonia unilateral, diante de seu declínio relativo frente a novos polos de poder. 

    Assista à análise de Ronaldo Carmona na TV Grabois

     

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