Este sábado (21) acontecerá um grande encontro internacional em Havana Velha, onde caravanas de todo o mundo entregarão toneladas de mantimentos, alimentos, medicamentos e itens essenciais dos quais o povo cubano está privado devido ao atual cerco imposto pelos Estados Unidos.
Cuba está sob ataque, e esse cerco configura um cenário de guerra liderado pelo presidente Donald Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio.
O país caribenho paga um preço altíssimo por sua soberania há mais de seis décadas. A questão central é que os Estados Unidos parecem não admitir que Cuba exista fora do seu domínio imperial. Atualmente, a ilha enfrenta uma grave crise energética e escassez de suprimentos básicos, o que gera obstáculos reais ao transporte, à coleta de lixo e ao funcionamento de hospitais e escolas. Isso não decorre de ineficiência administrativa, inclusive o governo cubano tem sido muito habilidoso ao manter o país em pé diante de um cenário de terra arrasada.
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Essa situação é consequência de um bloqueio que se aprofundou drasticamente no atual mandato de Trump, com a implementação de mais de 200 novas medidas. O cerco tornou-se praticamente físico, impedindo a chegada de combustível e o acesso a crédito internacional, além de penalizar empresas que comercializam com a ilha.
Tudo isso cria um isolamento profundo que, embora geográfico por natureza, é majoritariamente político e militarizado. Trata-se de uma guerra econômica, psicológica e financeira movida pelos Estados Unidos com a finalidade deliberada de provocar sofrimento à população cubana.
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O objetivo desse cerco é que o sofrimento da população gere instabilidade interna, aproveitando a óbvia insatisfação popular com tais condições. Essas estratégias de asfixia configuram um genocídio econômico ao qual o povo cubano está submetido.
Cuba incomoda há muito tempo porque representa soberania e independência frente aos Estados Unidos, oferecendo um projeto social alternativo com sistemas humanizados de saúde, educação e cultura. Sua saúde é referência mundial e o país exporta solidariedade por meio de médicos, enfermeiros e brigadistas, além de ostentar índices altíssimos em educação e esporte.
Tais conquistas representam um incômodo imenso em relação a um país tão pequeno, situado às margens de um gigante como os Estados Unidos. Prestar solidariedade a Cuba neste momento é um ato de rebeldia contra o cerco e uma forma de apoiar o direito legítimo de autodeterminação do seu povo, exigindo o fim das sanções unilaterais e fortalecendo a integração soberana da América Latina. Ao defender Cuba, defendemos todos os países do Sul Global e o direito de cada povo escolher seus próprios caminhos.
Este é o real sentido deste comboio, do qual faço parte. Estarei lá para registrar imagens e realizar entrevistas que trarei ao Brasil, com o intuito de denunciar o absurdo desse cerco imposto a uma ilha de cerca de 11 milhões de habitantes por uma potência de mais de 300 milhões. É notável o incômodo que Cuba causa ao governo estadunidense.
Na próxima semana, ao retornar de Havana, compartilharei minha experiência nessa conferência de emergência e solidariedade do dia 21 de março.
Assista a íntegra do Conexão Sul Global com Ana Prestes
Ana Prestes é pesquisadora do Observatório Internacional, Grupo de Pesquisa da Fundação Maurício Grabois, e Secretária de Relações Internacionais do PCdoB. Comanda o programa Conexão Sul Global, exibido pela TV Grabois.
*Análise publicada originalmente no programa Conexão Sul Global (TV Grabois), em 19/03/2026. O texto é uma adaptação feita pela Redação com suporte de IA, a partir do conteúdo do vídeo.
**Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial da FMG.