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    América Latina

    Porto Alegre se coloca no centro dos debates mundiais contra o fascismo e o imperialismo

    Sediada na capital gaúcha, I Conferência Internacional Antifascista Pela Soberania dos Povos reúne delegações diversos países até domingo (29)

    POR: Ana Prestes

    5 min de leitura

    Conferência Internacional Antifascista começou na quinta-feira, 26 de abril. Foto: Jorge Leão / BdF-RS
    Conferência Internacional Antifascista começou na quinta-feira, 26 de abril. Foto: Jorge Leão / BdF-RS

    A I Conferência Internacional Antifascista Pela Soberania dos Povos realizada entre quinta-feira (26) e domingo (29) coloca Porto Alegre no centro dos debates mundiais contra o fascismo e o imperialismo.

    Porto Alegre já foi símbolo mundial ao sediar o Fórum Social Mundial no início dos anos 2000. Por pelo menos uma década, o Fórum foi extremamente forte e internacionalizado, com capacidade de produzir agendas contundentes para a luta contra-hegemônica. Embora o evento ainda exista, ele não possui mais o protagonismo de outrora. Contudo, Porto Alegre mantém seu caráter internacionalizado, favorecido pela proximidade com países do Cone Sul, como Uruguai, Argentina e Paraguai, integrando o sul da América do Sul.

    Essa localização propicia que a capital gaúcha exerça influência significativa nos debates internacionais. Assim, a conferência conta com diversas atividades, como marchas, palestras e debates. Trarei informações atualizadas, pois o encontro ocorre em um momento de avanço global da extrema direita e de reorganização de forças neofascistas, fascistas ou protofascistas. Em nossa região, inclusive no Brasil, vivemos fenômenos que expressam claramente essa reorganização.

    Assista a 1ª Conferência Interancional Antifascista na TV Grabois
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    Neste ano eleitoral de 2026, a organização da ultradireita e do fascismo é extremamente perigosa. Pautaremos esse tema aqui na conferência, pois ele representa uma enorme ofensiva contra os direitos sociais, nossas democracias e a soberania nacional de cada um de nossos países. Essa reorganização da ultradireita é palpável e visível nas plataformas digitais, em uma guerra cultural em curso, em iniciativas de fé e na instrumentalização do medo social.

    No Brasil, temos vários exemplos disso. Infelizmente, ainda há muita adesão a esse pensamento que precisamos combater e que integra o pacote dessa ultradireita reorganizada: um neoliberalismo de perfil autoritário, uma guerra ideológica permanente e um alinhamento político com figuras como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em seu segundo mandato, ele reorienta fortemente sua estratégia para a segurança hemisférica em nossa região.

    Assistimos a uma ofensiva robusta, com uma articulação internacional da extrema direita e apoio a lideranças políticas locais alinhadas a esse projeto, como observamos em El Salvador, Equador, Paraguai, Argentina e Panamá. Nesse cenário, Brasil, México, Colômbia e Uruguai consolidam-se como bastiões da resistência a essa importante ofensiva do imperialismo em nossa região.

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    A conferência em Porto Alegre promoverá a articulação internacional, reunindo partidos, intelectuais, movimentos e sindicatos de vários países. Será uma oportunidade para formular estratégias comuns, indo além das denúncias para construir uma agenda política antirracista global. Reafirmamos nosso internacionalismo por meio da solidariedade a povos que hoje são alvos centrais do imperialismo, como no Irã, Venezuela, Cuba, Líbano e Saara Ocidental. Afinal, o antifascismo é, por essência, um fenômeno internacionalizado.

    O antifascismo é, por si só, um fenômeno internacional desde seu surgimento no início do século XX. Para nós, é fundamental manter a América Latina como nossa região de preocupação central. Nossa região, que já enfrentou períodos de ditadura e regimes de exceção, construiu sólidas experiências de resistência popular baseadas justamente na luta contra esses regimes.

    Atualmente, a região volta a enfrentar uma série de golpes de características híbridas, uma ofensiva de extrema direita e uma pressão geopolítica reestruturada dos Estados Unidos, por meio de sua nova estratégia de segurança. Somos também uma região que conquistou o governo com projetos progressistas e que, após sofrer recuos, agora luta para reconquistá-los. No Brasil, focamos na reeleição do presidente Lula e na implementação de iniciativas de integração regional em saúde.

    Buscamos o fortalecimento de uma agenda de soberania nacional. Discutiremos como o antifascismo organiza nossas lutas contra a desigualdade e o poder das grandes corporações de tecnologia (Big Techs), fortalecendo a organização popular com trabalhadores, mulheres, jovens e periferias na vanguarda dessa condução.

    Peço que continuem acompanhando; na próxima semana, trarei notícias sobre os desdobramentos da Conferência Internacional Antifascista aqui em Porto Alegre. A TV Grabois transmitirá diversas mesas de debate nos próximos dias, permitindo a participação de todos, mesmo à distância, devido à ampla divulgação do que acontecerá por aqui.

    Assista a íntegra do programa Conexão Sul Global com Ana Prestes

    Ana Prestes é pesquisadora do Observatório Internacional, Grupo de Pesquisa da Fundação Maurício Grabois, e Secretária de Relações Internacionais do PCdoB. Comanda o programa Conexão Sul Global, exibido pela TV Grabois.

    *Análise publicada originalmente no programa Conexão Sul Global (TV Grabois), em 26/03/2026. O texto é uma adaptação feita pela Redação com suporte de IA, a partir do conteúdo do vídeo.

    **Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial da FMG.