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Godiva

Eu esperava o trem na estação de Coventry. Entre guardas e grooms, debruçado na ponte pus-me de longe a olhar as três antigas torres e imaginei assim a lenda da cidade. Oh! Não somente nós, homens de nosso tempo,

POESIA: Araguaia 45 anos

Houve uma época terrível, A serpente era tão perversa Que para enfrentá-la, Além dos olhos gastos de leitura, Mais do que os dedos calejados De empunhar a pena, A história exigiu Que se empunhassem fuzis. Então mãos veteranas e

Um poema de amor

Não sei. Ignoro-o. Não sei bem, não sei, quanto tempo andei sem encontra-la novamente. Talvez um século? Quem sabe. Talvez um pouco menos: noventa e nove anos. Ou um mês? Podia ser. De qualquer forma, um tempo enorme, enorme,

Uma canção no Magdalena

(Colômbia)   Sôbre o duro Magdalena, longo projeto de mar, ilhas de areia e pena grasnam sob a luz solar.                                     E o voga, voga.   O voga, voga prêso em sua aguda pirágua, e o remo, rema: interroga

Velório de Papai Montero

Tu queimaste a madrugada com o fogo de teu violão: sumo de cana na cuia de tua carne preta e viva, sob a lua morta e branca.   o son te saiu redondo e mulato, como a nêspera.  

Crioulo

Há em ti a chama que arde com inquietação e o lume íntimo, escondido, dos restolhos, — que é o calor que tem mais duração. A terra onde nasceste deu-te a coragem e a resignação. Deu-te a fome nas

Cavalo bárbaro do Oficial Fang

Cavalo bárbaro de ferro nome largo anguloso à lépida ossatura bambus talhados nas orelhas brutas o vento investe-se às patas velozes   Aonde chegue é praça sem limite nele se arroja a vida encontra a morte suprema cela corredor

Água da lembrança

Quando se deu? Que sei eu? Água da lembrança eu vou navegar. Passou a mulata de ouro, e eu a fitei ao passar: laço de fita na nuca, bata de cristal, virgem de espádua recente, tacão de recente andar.

Com Cuba

Com Cuba digo qualquer palavrameu nome meu coraçãosão són Malecón MartíDigo minha mãe América minha espada escrevo a carvão   Como qualquer paixão caladaqualquer prisão alada digoCuba E caminho e abro caminhosno magma do meu peitomais e mais latino-americano