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POMAR ABANDONADO

No pomar abandonado onde pessegueiros velhos se curvam para o chão, cabras ávidas, de pé nas patas traseiras, quebram galhos cobertos de frutos verdes e ficam a roer tranquilamente as folhas.   Os cabritinhos lamentosos andam em volta das

A BOIADA

A caminho dos portos e dos curros, fazendo curva ou retidões de réguas, desce a boiada, aos corcovões e esturros, vencendo estradas de noventa léguas.   Vem das pastagens de Inhamuns*. E, entre urros, a poeira, e as filas

A canção do bongô

Esta é a canção do bongô:   – Aqui o que mais fino for, responde, se o chamo eu. Uns dizem: agora mesmo, outros gritam: já me vou.   Porém, meu repique bronco e minha profunda voz chamam o

Cravos de abril

Os cravos portugueses Sagraram-se Pelo sangue derramado De negros e alvos.   Os cravos, o povo português Os porta à mão como quem empunha um fuzil. E ao cravá-los na lapela, Pulsa-lhes um segundo coração.   Os cravos portugueses

Palavras a um futuro governante (de Joad para Joás)

Meu filho, oh ainda assim vos poderei chamar! Permiti-me a ternura, o modo de falar, as lágrimas de angústia, entre tantos horrores, que me arrancam, por vós, os mais justos temores. Crescestes junto a mim e do trono afastado.

Saudação aos noventa anos do poeta Thiago de Mello

O abraço afetuoso da Fundação Maurício Grabois a todos e a todas. Sejam benvindos a esta noite de alegria, noite da festa dos 90 anos do nosso poeta amado, Thiago de Mello, noite de celebração, de enaltecimento de sua

A arte

Sim, a obra sai mais belado árduo trabalho adverso,        seja elamármore, esmalte ou verso.   A afetação recusa! Para andares direito,         ó Musa, calça um coturno estreito.   Foge ao ritmo usado que, de tão

A destruição da Cracolândia

A destruição da Cracolândia Foram se aglomerando aos poucos Numa parte velha da cidade, os deserdados, Levando a vida no rolar dos dados. Os olhos baços de cão sem dono. Trabalham, mendigam, roubam, matam, Trepam por um cascalho de

Uma senhora louca de amor

  Minha canção é tua, mulher trabalhadora, mãe, heroína de meu país. Se aproxima a hora vital do almoço e tua casa é um ninho de filhotes famintos, e tu, absolutamente, sozinha. Num segundo abandonas o tanque, as roupas.

Canção Russiana

Renato, lá na sala, com aquela voz russiana dele, é uma lua ardendo, intumescendo tudo o que tem vida tudo o que habita ou visita a casa, exceto quem teve os ouvidos arruinados por ruídos… Os tímpanos roídos por