0 jornalista Apolinário Rebelo lançou, em Brasília, o livro Jornal A Classe Operária – Aspectos da história, opinião e contribuição do jornal comunista na vida política nacional. É o primeiro livro a relatar a história do jornal A Classe Operária, órgão central do Partido Comunista do Brasil, em circulação desde 1º de maio de 1925.

Apolinário remonta aos primeiros passos do movimento operário no Brasil na virada do século 18 para o século 19. Relata a fundação do Partido Comunista e as condições em que foi criado o jornal. Mostra a influência das opiniões de Karl Marx e Vladmir Lenin e as idéias que defendiam sobre o papel organizativo, político e ideológico de um jornal comunista para a transformação ou revolução social.

O livro traz a opinião política dos comunistas em seus 81 anos de história, relatada nas páginas do jornal. Mostra a luta contra a censura durante o Estado Novo (1937/1945) e o Regime Militar (1964/1985). Traz um caderno de fotografias, reproduzindo edições do jornal de várias décadas do século passado até números recentes. Narra episódios heróicos, como o do militante que, após o golpe do Estado Novo, em 1937, se viu cercado pela polícia na casa onde funcionava a gráfica, dinamitou a impressora e a casa e saiu pela janela trocando tiros com a polícia, até ser morto.

Na opinião do professor Luís Fernandes, do Instituto de Relações Internacionais da PUC/RJ e do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense-UFF, "o livro de Apolinário Rebelo nos permite, assim, recompor a história do amadurecimento político dos comunistas brasileiros — com toda a sua carga de sofrimento, heroísmo, derrotas, divisões e realizações — através das páginas do seu principal veículo de organização e divulgação: o jornal A Classe Operária.

Como o Partido Comunista é a organização política mais antiga em atividade no país, trata-se de importante contribuição não só para a história da comunicação no Brasil, como para a nossa própria história política. Para os comunistas brasileiros trata-se, ademais, de leitura imprescindível para refletir sobre os desafios da comunicação e da organização coletiva na nova etapa da luta pela hegemonia política no país, em que, pela primeira vez na sua história, o Partido Comunista integra o governo nacional". Na obra, que inicialmente foi monografia de conclusão a seu curso de jornalismo, Apolinário reúne material e referências bibliográficas "para novas e mais profundas viagens nesse vasto e rico terreno que é a imprensa comunista no Brasil", informa o autor: "Não só A Classe Operária, que é o órgão mais perene e importante, mas os jornais diários em várias épocas, os jornais específicos de jovens, mulheres, camponeses e de outros setores ou categorias sociais".

Apolinário destaca que a imprensa comunista, "numa época de monopolização e ofensiva política nunca vistas no campo das idéias, resiste, persiste e insiste, dando uma prova cabal de que o socialismo não morreu, mesmo porque o capitalismo permanece vivo, concentrando riqueza, poder e progresso tecnológico nas mãos de poucos países e mantendo as suas contradições, que agravam a exclusão social e o desemprego, promovem o desenvolvimento desigual entre nações e continentes e ampliam a miséria de milhões de seres humanos".

O livro aborda também os principais meios de comunicação do país e seus vínculos e interesses políticos e sociais. A Classe Operária – Aspectos da história, opinião e contribuição do jornal comunista na vida política nacional torna-se, assim, fonte de consulta e de reflexão para todos os que atuam e se interessam pelos caminhos do movimento popular brasileiro.
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EDIÇÃO 70, AGO/SET/OUT, 2003, PÁGINAS 80